- O aríete viking e o regente no trono: só mais um dia comum na Copa do Mundo Aprecie os craques, eles estão desfilando nesse momento - 23 de junho de 2026
- Os loucos por futebol e a benção do Faraó Futebol cria roteiros possíveis em uma Copa do Mundo cheia de novidades - 22 de junho de 2026
- Carpa Koi: a vitória Japonesa Japão segue invicto com uma vitória e um empate na Copa do Mundo de 2026; Seleção ocupa o segundo lugar do Grupo F. - 21 de junho de 2026
Noruega x Senegal: o aríete viking
Fui indagado enquanto assistia ao jogo ontem
— O que tanto você grita aí?
E vos digo: a Copa do Mundo é algo além. Quem está de fora não entende. E quem está dentro não tenta explicar.
A Copa do Mundo iguala os desiguais, une os diferentes, restaura o que um dia foi quebrado e deixa o ser humano em seu estado mais primitivo.
E os noruegueses levaram isso às últimas consequências. A nação inteira remou ao lado de seus atletas até o solo norte-americano.
Aqueles que abriram o YouTube ontem para assistir a Noruega e Senegal não testemunharam uma simples partida de futebol. Viram vikings se atracando com leões no gramado.
Durante noventa minutos, travaram uma batalha capaz de prender o fôlego e os olhos na tela. Houve instantes em que acreditamos que os leões prevaleceriam. Avançavam com suas garras, mostravam os dentes e ameaçavam devorar o sonho nórdico.
Mas entre os vikings havia uma aberração da natureza.
Atendia pelo nome de Erling Braut Haaland.
Fizeram do campo um Ragnarök. Os noruegueses lutavam como homens prontos para serem conduzidos a Valhalla. E, no centro daquela guerra, estava o gigante loiro.
Há jogadores que participam do jogo. Há jogadores que o transformam.
E há Haaland.
Haaland não joga futebol. Comete futebol.
Não chuta. Fere.
Não disputa. Atropela.
Não corre. Avança.
Aos amantes do futebol-arte, peço desculpas. Haaland não é um bailarino. Não é um violinista. Não é um quadro pendurado num museu.
É um aríete viking de chuteiras.
Uma força da natureza que, por algum capricho divino, resolveram ensinar a chutar uma bola.
Vos digo que pode ser difícil explicar o sentimento de assistir a uma Copa do Mundo. É difícil traduzir em palavras por que milhões param suas vidas para ver vinte e dois homens correrem atrás de uma bola.
Mas é muito fácil reconhecer esse sentimento quando ele aparece.
E ontem ele apareceu.
Argentina x Austrália: o regente no trono
Existirão outros Bellinghams, outros Pedris, outros Xavis, outros Rodrygos. Quem sabe o futebol até nos conceda um novo Cristiano Ronaldo.
Mas outro Messi?
Vos digo isso não é algo que o futebol costuma conceder duas vezes.
Existem jogadores. E existe Lionel Andrés Messi Cuccittini.
Uns o colocam acima de Pelé. Outros abaixo. Há ainda aqueles que sequer ousam compará-los. Eu, porém, afirmo: o futebol possui apenas um Rei, Edson Arantes do Nascimento.
Mas na ausência do Rei, coube ao seu regente a condução do espetáculo.
Lionel Messi.
Haverá quem proteste contra esta decisão. Haverá quem organize revoltas. Haverá quem apresente recursos.
Inútil.
O decreto já foi publicado.
Quem ama o futebol ama Lionel Messi.
E ontem o regente mostrou por que foi escolhido.
Desfilou com sua majestade pelo gramado. Tratou a bola com a intimidade dos velhos amigos. Fez do jogo uma audiência pública em que apenas sua vontade importava.
Ao final, tornou-se o maior artilheiro da história das Copas do Mundo.
Não foi apenas um recorde.
Foi mais uma página acrescentada a uma biografia que há muito tempo deixou de pertencer ao futebol para ingressar na mitologia.
Não sabemos por quanto tempo o regente conservará esse título. Pois no horizonte já se desenha uma batalha contra aquele que muitos chamam de Napoleão de chuteiras.
Mas isso é assunto para outro dia.
Ontem foram noventa minutos de Messi.
E quando Messi entra em campo, o futebol faz silêncio para ouvir.






