Futebol: Gol de virada do Uruguai sobre Cabo Verde • Photo by Alex Slitz/Getty Images
Crônicas, Futebol, Futebol de Seleções

Os loucos por futebol e a benção do Faraó Futebol cria roteiros possíveis em uma Copa do Mundo cheia de novidades

Uruguai x Cabo Verde

Os loucos apaixonados por este esporte sabem que o futebol é para quem acredita. Para quem tem vontade. Para quem não desperdiça as oportunidades que o jogo oferece.

É para aqueles que lutam contra o que parece condenado. Para aqueles que não se curvam diante do improvável. Para aqueles que enxergam no impossível apenas uma questão de opinião.

E a opinião de Cabo Verde era simples, não era impossível enfrentar mais uma campeã do mundo.

E enfrentou.

Lutou.

Correu.

Marcou.

E, por alguns instantes gloriosos, esteve à frente no placar.

Enquanto muitos enxergavam uma vítima, Cabo Verde enxergava uma oportunidade. Enquanto os pessimistas contavam os minutos para a derrota, os Tubarões Azuis contavam os metros até o sonho.

Foi com unidade, com trabalho e com coragem que Cabo Verde permaneceu vivo na partida. Porque o progresso das pequenas nações não nasce dos milagres. Nasce da obstinação.

A Celeste Olímpica, acostumada a navegar mares mais tranquilos, talvez não tenha sido avisada de que nadar entre tubarões pode ser perigoso.

Egito x Nova Zelândia

Aqueles que assistiram à partida testemunharam o despertar de Mohamed Salah em Copas do Mundo. Um faraó que governa com os pés. Sob a bênção de Rá, fez do campo o seu reino.

Dizia um, de maneira branda

— Salah é uma pica.

Ao que outro respondia, eufórico, como quem finalmente libertasse um grito aprisionado há anos

— MO SALAH!

— THE EGYPTIAN KING!

E era mesmo.

Salah liderou seus soldados contra a Nova Zelândia como um monarca conduzindo seu exército através do deserto. Impôs sua superioridade com a naturalidade dos escolhidos. Aos incrédulos, parecia evidente que a bênção de

Rá repousava sobre seus pés.

Cada toque seu carregava uma intenção. Cada arrancada parecia uma ordem real. E a bola, obediente como um súdito exemplar, cumpria todos os seus decretos.

A Nova Zelândia resistiu o quanto pôde, mas com toda a pompa de sua glória soberana, o Soberano levou seus vassalos à vitória de maneira plena e majestosa. E, por noventa minutos, o Egito não foi apenas uma seleção. Foi um império. E Mohamed Salah, seu faraó. Futebol!

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