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Existe um mito japonês que reflete perfeitamente a caminhada do Japão nas Copas do Mundo: o da Carpa Koi. Símbolo de força, perseverança e superação.
Conta a lenda que inúmeras carpas tentaram subir contra a correnteza do Rio Amarelo até alcançar o topo de uma cachoeira conhecida como Portão do Dragão. Muitas desistiram. Outras foram levadas pelas águas. Apenas uma venceu o desafio.
Como recompensa, os deuses a transformaram em um dragão. Desde então, a carpa tornou-se um símbolo da capacidade de resistir ao impossível.
Ontem, diante da frágil Tunísia, vimos um Japão avassalador. Organizado, intenso e impiedoso, como uma dessas carpas que já não teme a correnteza porque aprendeu a dominá-la.
A Tunísia teve diante de si não apenas uma seleção de futebol, mas uma força em movimento. Cada ataque japonês parecia mais uma braçada rumo ao topo da cachoeira.
Não sabemos ao certo em que altura dessa subida o Japão se encontra. Talvez ainda esteja enfrentando as águas mais violentas. Talvez já aviste o Portão do Dragão.
O que sabemos é que, Copa após Copa, os japoneses seguem nadando contra a correnteza. E há momentos em que o espectador tem a impressão de que as escamas começam, lentamente, a dar lugar às asas.






