Ex-treinador do Rio Branco. Crédito: Reprodução Rio Branco.
Entrevistas

Andre Visser: um técnico alemão no futebol capixaba

Daniel Dutra
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Se recuperando da COVID-19, o técnico Andre Visser conversou com a PressFut sobre sua carreira, a passagem histórica pelo Rio Branco e os seus próximos objetivos.


Formado na Licença A da UEFA, uma das mais respeitadas no mundo do futebol, Andre Visser é um alemão radicado no Brasil. Filho de uma brasileira, o treinador assumiu o comando do Rio Branco do Espírito Santo. Mesmo com pouco tempo de trabalho, fez história. Pela primeira vez, o clube capixaba se classificou para a segunda fase da Copa do Brasil. Mas infelizmente, sua passagem foi interrompida pelo coronavírus.

Se recuperando da doença, Andre pretende voltar ainda mais forte. Mas antes disso, ele bateu um papo com a gente para falar sobre a carreira e o que o espera pela frente.

Fique então com a entrevista na íntegra:

  1. Antes da carreira de treinador, você chegou a ser goleiro profissional na Alemanha e em Portugal. Inclusive com passagem por times famosos como o Eintracht Frankfurt por exemplo. Você já pensava em se tornar técnico de futebol na época de jogador?
Andre Visser na época de goleiro. Crédito: Arquivo Pessoal.
Andre Visser na época de goleiro. Crédito: Arquivo Pessoal.

Na verdade nunca. Quando eu jogava eu não queria nem de longe saber o trabalho do técnico. Na verdade eu acho que foi nos últimos dois anos que eu comecei a pensar devagar. Queria saber algumas coisas e perguntei aos meus técnicos mais do que normalmente. Eu comecei a ler livros sobre a história do futebol e assim começou tudo.

  1. Sua trajetória como técnico começou em 2015, ainda na Alemanha. Nesse primeiro ano, você trabalhou entre as categorias Sub-16 e Sub-21. Quais as grandes diferenças entre treinar o futebol de base, e treinar o futebol profissional?

Quando eu trabalhei na federação (seleção) de Sub-16 até Sub-21, na verdade foi um nível bem alto, bem profissional. Porque eram os melhores jogadores. Então todo técnico que pode trabalhar na federação, que pode trabalhar com tanto talento, com tanto potencial e tanta qualidade, principalmente no Sub-17 e Sub-18, têm jogadores quase profissionais. Por isso, não posso dizer que é uma grande diferença.

Os jogadores mais novos que podem jogar na federação (seleção) hoje em dia são tecnicamente, taticamente e fisicamente bem melhores do que na minha época, há vinte anos atrás. Por isso é bom.

As diferença são coisas mais óbvias, como a parte física por exemplo. Aí tem diferença. Eu nunca trabalhei na base de um clube, por isso não posso dizer a grande diferença entre categoria de base e profissionais, porque o nível que nós trabalhamos na federação já é bem mais alto do que o normal.

  1. Em 2019, você emigra para o Brasil e se forma na Licença A da UEFA, considerada muito acima das licenças brasileiras. Seu primeiro trabalho como técnico no Brasil foi no futebol capixaba, onde mora desde o final de 2019. De que forma você tenta mesclar o que aprendeu na Europa, com o que vê no futebol do Espírito Santo?

Várias pessoas me perguntam isso e na verdade não tem grandes segredos. Na Europa jogamos com dez jogadores, um goleiro e uma bola. São todas as coisas que também usamos aqui para jogar futebol.

Realmente tem algumas coisas que são um pouquinho diferentes. O pouco tempo que eu tinha – em dez, doze, quatorze dias a temporada já sai por causa da parte física – então esse pouco tempo que eu tinha, eu queria melhorar o jogador. A minha filosofia, minha metodologia, é o seguinte: eu vou sempre tentar colocar vários pontos do futebol dentro de um exercício. A parte técnica, a parte tática, a parte física e a parte cognitiva por exemplo. Aí eu crio um exercício onde precisamos tecnicamente, fazer algum movimento. Na parte tática as vezes com algumas cores, precisamos usar nossa cabeça. E a parte física. Fizemos treinos de categoria de base as vezes, porque têm jogadores que precisam um pouquinho mais de ajuda, de apoio.

Quando eu cheguei aqui, as pessoas me falaram que o brasileiro não quer saber de uma outra metodologia, não quer saber coisas novas. A minha experiência agora, eu posso dizer, é bem ao contrário. Eu falei muito com os jogadores e os jogadores falaram muito comigo. Eu troquei sempre ideias, informações. O meu time no Rio Branco foi excelente, então minha experiência foi bem o contrário: o brasileiro quer saber mais, quer evoluir mais e quer entender mais. Por isso não foi muito difícil não.

  1. Fazendo uma comparação, como você analisa o futebol alemão (de onde você vem), o futebol brasileiro, e o futebol capixaba?
Andre Visser durante um treino do Branco. Crédito: Rafael Brozeguini/ Rio Branco
Andre Visser durante um treino do Branco. Crédito: Rafael Brozeguini/ Rio Branco

Como todo mundo pôde ver na Copa do Brasil por exemplo, nós tomamos conta da organização da estrutura. Para mim, essa é a grande diferença. Trabalhar com muita disciplina, com uma boa organização. Porque todo mundo sabe que, independente do time, se alguém tem uma boa organização, já é difícil para o adversário. Essa é a grande diferença. Eu preciso, eu gosto e eu quero uma organização boa.

Com os jogadores que eu tinha no Rio Branco, igual o Wesley, que tem 40 anos, mas já tem na mente uma organização diferente. Então, isso é a maior diferença entre a Alemanha e o Espírito Santo. As vezes, se um time quer pressionar, eu sempre falo um exemplo: “parece galinha em cima do milho”. Na verdade, pressão é muito mais do que só ficar em cima da bola. Isso é uma coisa que fizemos muito bem e por isso ganhamos contra o Sampaio também. Porque fizemos um bom jogo com uma boa organização. Esse jogo foi taticamente dez para mim.

  1. Você gosta de começar os jogos na formação 4-1-4-1, mas também alterna quando necessário. Entre suas alternativas, está o 3-4-3 contra sistemas muito defensivos, e o 3-5-2. Mas durante o jogo, ao usar o 4-1-4-1 por exemplo, sua equipe se transforma rapidamente para atacar em 4-3-3. Por mais comum que isso possa parecer, existe uma falta de intimidade dos atletas brasileiros com alternâncias durante os jogos. Principalmente em divisões inferiores. Como você trabalha isso no dia-a-dia dos treinos?

“Se eu vou falar com o time na primeira semana: “olha, eu quero que nós joguemos no 3-5-2, mas também podemos mudar para 3-4-3 ou 4-4-2″. É bonito né? Mas como?”

O 4-1-4-1 foi uma boa ferramenta que eu queria usar com o time do Rio Branco. Porque a postura do time, dos jogadores igual o Paulinho, o Wesley, o Gil Mineiro e o Geovane, tem uma experiência. Por isso, foi bem fácil achar essa formação para nós. E realmente foi 4-1-4-1 e na fase ofensiva o 4-3-3 para ser um pouquinho mais flexível e entrar no contrapressão, pois a postura do 4-3-3 é bem mais perto dos adversários quando nós perdemos a bola.

Todo mundo sabe que a melhor forma, a melhor situação para ganhar a bola, é quando nó perdemos a bola. Então, eu queria um bom 4-1-4-1 defensivo, e na fase ofensiva, um 4-3-3 para atacar logo a bola de novo. Para ganhá-la bem rápido de novo. Na verdade, a minha parte do trabalho com o Rio Branco era bem cedo ainda. O planejamento era: um dia trabalhar a pressão no setor ativo, que nós sabemos quando o adversário vai errar e para nós é um sinal para pressionar. E podemos trabalhar automaticamente, com automatismo, com os princípios. Mas infelizmente não chegamos a trabalhar essa parte ainda.

Mas o que eu vi – sem criticar ninguém – o que eu estou vendo aqui, são técnicos que querem colocar todas as ideias em cima do jogador. Por isso o brasileiro talvez tenha um pouquinho mais de dificuldade de entender as coisas de um dia para o outro. O meu pensamento, por exemplo aqui no Espírito Santo, foi que nós precisamos começar com a base e depois aumentar, aumentar e aumentar mais um pouquinho. Assim, o jogador vai entender muito mais rápido, com muito mais facilidade. Se eu vou falar com o time na primeira semana: “olha, eu quero que nós joguemos no 3-5-2, mas também podemos mudar para 3-4-3 ou 4-4-2”. É bonito né? Mas como?

Por isso acho muito mais importante dizer e mostrar que o técnico precisa apoiar muito mais o time, mostrar muito mais soluções e criar treinos para realmente não criticar sempre. Eu posso criar um exercício em que o jogador precise entrar para o contrapressão muito mais rápido que o normal. Eu posso criar exercícios com regras. O jogador precisa trabalhar assim. Então eu sou o técnico que posso apoiar, porque não vou parar sempre o jogo, não vou criticar sempre e o jogador não fica enjoado.

  1. Ao ser contratado pelo Rio Branco, a diretoria traçou algum perfil específico da equipe, ou você teve mais liberdade para escolher?
Andre Visser no Maracanã. Crédito: Arquivo Pessoal
Andre Visser no Maracanã. Crédito: Arquivo Pessoal

Infelizmente quase nada. Eu indiquei o Geovane, porque eu conheço técnicos que já trabalharam com o Geovane, que também tem boas passagens pela seleção sub-17, Santos e times fora do país. Ele realmente é top, um jogador com experiência tecnicamente e taticamente. Mas ele sabe que precisa ainda um pouquinho de tempo para chegar no nível físico dele. O resto infelizmente não tinha chance para colocar o elenco que eu queria ou não. Quem contrata os jogadores é somente o gestor Alex. Eu trabalhei com o time que ele montou.

  1. Pelo o que estamos acostumados a ver, seu estilo de jogo é bem ofensivo. Você tem o perfil de incorporar um esquema ofensivo independente das peças do elenco, ou costuma adaptar de acordo com o material que tem em mãos?

“Antigamente você tinha uma ideia do jogo e você jogava contra todos os times. Hoje em dia isso não funciona mais.”

Eu precisava trabalhar com o material que eu tinha. Então é óbvio que eu precisava fazer uma avaliação, ver vídeos de jogos para fazer essa avaliação. No futebol temos várias dinâmicas. Antigamente você tinha uma ideia do jogo e você jogava contra todos os times. Hoje em dia isso não funciona mais. Por isso precisamos de mais flexibilidade. Eu tinha um analista top: o Alexandre, no Rio Branco, que fazia um bom trabalho.

  1. Aqui na PressFut, nós costumamos debater temas abrangentes do futebol, como a parte psicológica por exemplo. Por mais que você tenha a parte tática como um diferencial, você deixa claro que o lado humano do treinador é muito importante. Qual é o tom que você tenta passar na comunicação com seus atletas?

É como eu já falei. Você precisa saber qual técnico você quer ser. Você pode ser o técnico que vai criticar e xingar o dia inteiro ou você pode ser o técnico que vai apoiar e falar com respeito com os jogadores para mostrar soluções. Quando eu joguei, eu tinha um técnico que ganhou a Copa do Mundo de 1990 na Itália, e eu realmente falei duas, três vezes no ano com ele. Ele simplesmente é uma pessoa que não fala muito com você. Já tive técnico que brigou e xingou demais… Só que o meu caminho é tentar trabalhar com os jogadores com respeito e apoia-los. Meu trabalho no dia a dia é melhorar os jogadores, e não critica-los atoa.

  1. Mesmo com pouco tempo de trabalho, você fez um feito histórico no Rio Branco. Pela primeira vez, o clube se classificou para a segunda fase da Copa do Brasil. Como foi viver e ser um dos responsáveis por esse momento?

“O Sampaio fez uma coisa que eu não entendi e não tô entendo até hoje”.

Na verdade, eu sabia muito sobre o Sampaio. A estrutura, a organização… O nosso analista me deu trinta ou quarenta páginas de análise sobre o Sampaio. Então eu vi jogos do Sampaio e não foi muito difícil saber como eles iriam jogar. Sabíamos que era um técnico com experiência na base, mas nos profissionais não muito. E como eu já falei, o nosso planejamento foi realmente isso: trabalhar muito com uma grande organização.

Mas o futebol tem muitas dinâmicas. Jogamos cinquenta minutos com um jogador a menos, sofremos o primeiro gol e realmente o Sampaio fez uma coisa que eu não entendi e não tô entendo até hoje: eles abriram. Eles queriam jogar mais ofensivo e, planejamento, contra um time muito mais forte que o seu, você começa o jogo com um pensamento muito mais defensivo. Com sete, oito jogadores com pensamento mais defensivo. E no final do jogo você entra com mais velocidade para pressionar mais fácil e ganhar mais espaço dentro do campo. E quando eu vi que o Sampaio abriu um pouquinho, que tinha mais confiança ganhando de 1 a 0, eu troquei jogadores. O Edu entrou e graças a Deus fez bem rápido o 1 a 1, que depois virou 2 a 1.

“Teve um roupeiro que me abraçou e chorou de felicidade. Aí eu consegui entender que nós fizemos uma coisa bem especial. Uma coisa realmente histórica.”

Então eu não tinha muito tempo para pensar aquele momento. Demorou algumas horas. As pessoas do clube, do time me abraçaram, agradeceram, choraram. Teve um roupeiro que me abraçou e chorou de felicidade. Aí eu consegui entender que nós fizemos uma coisa bem especial. Uma coisa realmente histórica. Mas meu time foi excelente. Eu nunca vou esquecer dos jogadores como o Paulinho, que já ganhou uma Copa do Brasil e nesse dia ele jogou como nunca tivesse ganhado nada e queria fazer história. Então eu tenho muito respeito por esse time. Não tem outra palavra que não seja excelente.

  1. Pouco tempo depois do feito, você acabou sofrendo sintomas graves da COVID-19. Inclusive, tendo grande parte dos pulmões comprometidos. A contaminação foi massiva no Rio Branco, clube de pouca estrutura comparado aos times da elite. Observando de dentro, você acha que os clubes pequenos conseguem disputar a Copa do Brasil (com tantas viagens) mesmo no meio do pior momento da pandemia no país?

“A responsável é a federação, somente.”

Não. Eu preciso dizer que o clube não teve culpa nenhuma sobre o COVID. A realidade é o seguinte: nós fizemos numa sexta-feira o teste de COVID para o jogo da Copa do Brasil na quarta-feira. Então foram cinco dias antes. E também foram só para vinte jogadores e um técnico. Só que o grupo do Rio Branco são quarenta pessoas: massagistas, roupeiros, nutricionistas… E no sábado jogamos em Pinheiros. Na segunda-feira saiu o exame e veio a notícia que o nosso goleiro Diogo testou positivo. Aí ficamos quatro dias com um jogador que nem tinha sintoma, estava tudo normal. O mistério dessa doença é esse mesmo, ninguém podia pensar que ele estava positivo. Então para mim, a responsável é a federação, somente. A minha situação estava bem grave, por isso o meu pensamento mudou bastante sobre o COVID.

  1. A partir do momento em que ficou ausente, o Rio Branco foi comandado interinamente pelo auxiliar técnico Flávio Augusto. Antes de sua saída, você chegou a ter alguma participação de fora, ou não teve como pensar em futebol?

Eu estava totalmente fora. Quem foi o técnico contra o Vitória da Bahia foi o gestor Alex. Eu não tinha contato com ninguém porque eu simplesmente estava bem ruim.

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  1. Infelizmente, você precisou se despedir do Rio Branco. Como você analisa sua passagem pelo clube, e o que aprendeu com ela?

Eu aprendi muito. Logicamente, é óbvio que tem uma diferença entre Europa e Brasil. Foi bom para eu entender as coisas e analisar um pouquinho. E a diferença foi bem menos que eu pensei. Antigamente as pessoas tinham dúvidas se a estrutura é igual na Europa, na Alemanha. Tinham dúvida se eu iria conseguir falar com os jogadores, se eles entenderiam.

Só porque eu nasci no primeiro mundo por exemplo, as pessoas pensam que a estrutura daqueles clubes é um pouquinho diferente, porque não tem tanto material. A estrutura realmente é menor que na Alemanha. Na verdade, os times amadores da Alemanha tem mais material do que os profissionais daqui. Mas não foi difícil, não foi um milagre. Eu não precisava ver se aqui era diferente do que na Alemanha ou na Europa. Queria lembrar que minha mãe é brasileira, eu sempre passei férias aqui. Conheço muito bem o Espírito Santo e o Brasil. Por isso as pessoas que possam pensar que eu vou ficar com dificuldade por ter vindo da Alemanha e eu posso pensar que aqui será a mesma coisa que Alemanha, eles não entendem que a minha educação de futebol não permite esse pensamento. É óbvio, eu moro no Brasil e sei que a rua daqui não é igual da Alemanha e tem muitas coisas que eu acho aqui bem melhor do que na Alemanha. Então foi uma experiência boa onde eu entendi e aprendi que quero muito mais.

Nós jogamos em Tombos, um amistoso. Jogamos contra o Sampaio.  Eu vi clubes com uma boa organização, com uma estrutura maior. E isso é o meu objetivo, por isso estou bem motivado. A única coisa que eu fiquei muito triste na verdade, é que eu não consegui jogar com a torcida por conta dessa pandemia. Eu recebi muitas mensagens da torcida do Rio Branco, com tanto carinho, tanto amor e tanto respeito que fiquei com pena. Mas o mundo hoje é assim e precisamos aceitar.

  1. Você já se sente melhor em relação a sua recuperação da COVID-19?
Ex-treinador do Rio Branco. Crédito: Reprodução Rio Branco.
Andre no Kléber Andrade. Crédito: Reprodução Rio Branco.

Eu estou quase 100%. Ainda tenho tosse, me canso muito rápido. Mas estou usando uma bombinha duas vezes por dia e melhorei bem rápido, mais rápido do que os médicos disseram. Por isso eu saí do Rio Branco. Os médicos disseram que eu vou precisar de trinta dias ou mais e eu queria o melhor para os meus jogadores, pois eu vi que a situação dos jogadores iria piorar sem técnico. Que até hoje não tem técnico.

Mas por isso eu falei com o gestor do clube e pedi para sair. O clube precisa de um bom planejamento e o time precisa de um técnico que possa trabalhar dia a dia. Que tenha licença e experiência. Mas acho que daqui a uma ou duas semanas eu estarei 100% graças a Deus.

  1. Em uma declaração, você disse que voltaria mais forte. Quais são suas expectativas para quando retornar?

“Eu vi agora com o Rio Branco, que eu adoro o futebol cada dia mais.”

Eu vou voltar mais forte. Eu tento melhorar todos os dias. Gosto de refletir muito. O meu pensamento sobre o futebol é o seguinte: eu acordo de manhã com o pensamento de como eu posso melhorar, como eu posso mudar para melhorar o nosso jogo. E o último pensamento antes de dormir, é o mesmo pensamento.

Então eu vou voltar muito mais forte, pois eu fiz agora uma experiência, e foi uma experiência boa. No jogo aqui no Brasil, ou as coisas que vi na Série C ou na Série B, o técnico tem muito mais possibilidade para criar um jogo diferente. Eu sempre falei um exemplo: “como alguém pode me ensinar inglês quando ele não sabe falar inglês?”. Isso que eu aprendi aqui, me deu muito mais motivação para depois da COVID. Eu quero trabalhar muito mais tempo com o time. A minha experiência, a minha ideia de jogo, eu quero colocar em um time bom. Por isso eu faço isso, por isso estudei futebol. E eu vi agora com o Rio Branco, que eu adoro o jogo cada dia mais.

  1. Para finalizar, quem são suas inspirações no futebol, e quais feitos dessas referências você pretende repetir?

Eu gosto do técnico Thomas Tuchel, que foi o técnico do Neymar no PSG e está agora no Chelsea. Eu adoro ver como ele pode sair da pressão na fase defensiva. Ele não permite chutar a bola para frente por exemplo. Ele sempre tem uma solução, ele sempre quer sair quase da área deles.

Eu adoro também a posse de bola do Guardiola. Todo mundo gosta, né? Mas ele ainda tem uma visão que é impossível. Não sei como ele consegue ver coisas que ninguém está vendo. E tem vários outros que eu sempre gostei: Oliver Kahn, o antigo goleiro hoje será o chefe do Bayern de Munique. Foi um goleiro que nunca parou de trabalhar e sempre queria mais, mais e mais.

O Mourinho! A ideia do Mourinho, como ele treina os times dele é fenomenal. O André Villas-Boas também, um técnico jovem. Mas eu gosto de ver o lado dos detalhes da organização e das soluções. Por isso são eles mesmos.

Daniel Dutra

Jornalista em formação e apaixonado por esportes. Juntei essas duas paixões para produzir conteúdo e valorizar a comunicação criando um portal para levar informação e gerar oportunidades.
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