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O futebol brasileiro vai passar por uma mudança significativa na utilização de jogadores estrangeiros. Em reunião realizada nesta segunda-feira (21), no Rio de Janeiro, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e clubes das Séries A e B aprovaram a redução gradual do número de atletas estrangeiros que poderão ser relacionados por partida. O limite, atualmente de nove jogadores, cairá para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e chegará a cinco a partir de 2030.
A decisão ocorre em um momento no qual o futebol brasileiro já apresenta uma participação proporcionalmente menor de estrangeiros em comparação com outras grandes ligas. Em um levantamento que considera o número de jogadores estrangeiros utilizados em relação ao total de atletas, a Premier League aparece com 391 estrangeiros entre 543 jogadores, o equivalente a 72%. Na Itália, a Serie A registra 398 de 580, ou 69%.
A MLS, dos Estados Unidos, aparece com 526 estrangeiros entre 869 atletas, representando 61%. Na França, a Ligue 1 tem 285 de 474, ou 60%, enquanto a Bundesliga registra 281 de 509, equivalente a 56%.
A Super Lig, da Turquia, apresenta 270 estrangeiros entre 527 jogadores, ou 52%. Na Espanha, a LaLiga tem 216 de 513, cerca de 42%. Já a Saudi League registra 196 de 511, aproximadamente 39%.
Na América do Sul, o percentual é ainda menor. O Campeonato Brasileiro aparece com 168 estrangeiros em um universo de 669 jogadores, cerca de 25%. Na Argentina, são 145 estrangeiros entre 894 atletas, aproximadamente 16%.

Espaço para estrangeiros será reduzido
A nova regra aprovada pela CBF estabelece uma redução progressiva do limite de estrangeiros relacionados em cada partida. O número passa de nove atualmente para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030.
A medida também modifica a composição das listas de inscritos. O limite total continuará sendo de 50 jogadores por clube, mas haverá uma divisão entre a Lista A, destinada ao elenco principal, e a Lista B, composta por atletas Sub-23. Em 2027, serão 30 vagas na Lista A e 20 na Lista B. A divisão avançará gradualmente até chegar a 25 jogadores em cada lista em 2030.
Segundo a CBF, a proposta surgiu a partir de discussões do Movimento dos Clubes Formadores e do Grupo de Trabalho da Base Brasileira. A entidade relaciona a mudança à necessidade de ampliar as oportunidades para jogadores mais jovens formados no país.
Os dados apresentados pela própria CBF indicam que atletas de até 20 anos representaram 50,1% das receitas dos clubes brasileiros com transferências para o exterior entre 2016 e 2025. Para a entidade, ampliar o espaço desses jogadores pode ter impacto também na formação e na capacidade de negociação dos clubes brasileiros.
Flamengo e Vasco são exemplos de times com muitos estrangeiros sob contrato

Apesar da redução aprovada para os próximos anos, alguns dos principais clubes brasileiros possuem contratos de longo prazo com jogadores estrangeiros.
No Flamengo, os vínculos listados chegam até 2031. Rossi e Varela têm contrato até 2027, enquanto De La Cruz, Saúl e Arrascaeta estão vinculados ao clube até 2028. Carrascal, Plata e Erick Pulgar têm contratos até 2029. Já Valencia e Joaquín Freitas aparecem com vínculo até 2031.
No Vasco, a lista também reúne jogadores de diferentes nacionalidades. Carlos Cuesta e Rojas possuem empréstimos previstos até dezembro de 2026. Puma Rodríguez, Nuno Moreira e Loide Augusto têm vínculos até 2027. Saldivia e Spinelli aparecem até 2028, enquanto Marino Hinestroza, Facundo Colidio, Santiago Sosa e Alan Lescano têm contratos até 2029. Andrés Gómez aparece com vínculo até janeiro de 2031.
A existência desses contratos não significa que todos os atletas estarão necessariamente relacionados nas partidas durante todo o período, mas mostra que a mudança regulatória poderá exigir planejamento dos clubes para adequar seus elencos às novas regras.
Clubes do Rio participaram das discussões
Os quatro grandes clubes do Rio de Janeiro estiveram representados nas reuniões envolvendo a CBF e os clubes brasileiros.
Pelo Botafogo, participou Gilnei Botrel. O Fluminense foi representado por Mario Bittencourt e Marcelo Penha. Pelo Vasco, esteve presente Fred Luz, enquanto o Flamengo teve o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, como representante.
A discussão faz parte de um processo mais amplo conduzido pela CBF em 2026, que também envolve mudanças no calendário, criação de uma possível liga nacional e debates sobre formação de jogadores, arbitragem e modelo de gestão do futebol brasileiro.
Uma mudança gradual
A redução não será imediata. O futebol brasileiro terá quatro etapas até chegar ao limite de cinco estrangeiros por partida em 2030. A CBF afirma que a transição busca ampliar gradualmente o espaço para atletas mais jovens sem diminuir o número máximo de jogadores que cada clube pode manter inscritos.
A mudança coloca em discussão o equilíbrio entre a contratação de jogadores estrangeiros, que se tornou uma característica cada vez mais presente no futebol brasileiro, e a utilização de atletas formados nas categorias de base.
Enquanto ligas como Premier League, Serie A e MLS apresentam percentuais superiores a 60% de estrangeiros no levantamento apresentado, o Brasileirão parte de uma participação de aproximadamente 25%. A partir de 2027, esse espaço poderá ser ainda mais restrito pelas novas regras da CBF.





