- Da base ao topo do mundo: Espanha renova com Luis de la Fuente até 2032 Campeão da Nations League, da Eurocopa e da Copa do Mundo, treinador é premiado pela RFEF com contrato de longo prazo; trajetória iniciada nas categorias inferiores já soma mais de 100 jogos na base e 38 vitórias em 50 partidas pela seleção principal - 21 de setembro de 2026
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A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) oficializou nesta segunda-feira (21), a renovação de Luis de la Fuente até 2032. A ampliação foi aprovada por unanimidade pela Junta Diretiva da entidade e transforma em projeto de longo prazo um trabalho que começou nas categorias de base em 2013 e atingiu o ponto mais alto com o título da Copa do Mundo de 2026. O vínculo anterior do treinador iria até a Eurocopa de 2028.
Com o novo acordo, De la Fuente fica contratado para comandar a Espanha na Eurocopa de 2028, na Copa do Mundo de 2030, que terá a Espanha entre os países-sede e também na Euro de 2032. Para a federação, a decisão representa uma aposta em estabilidade e confiança depois de uma sequência que colocou o treinador como o técnico mais vencedor da história da seleção espanhola em número de títulos.
A renovação acontece pouco mais de dois meses após a conquista do Mundial. Em 19 de julho, a Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, com gol de Ferran Torres aos 106 minutos, e levantou sua segunda Copa do Mundo, 16 anos depois do título de 2010.
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Uma história que começou na base
A trajetória de De la Fuente dentro da seleção espanhola ajuda a explicar por que a RFEF decidiu estender o projeto por mais seis anos. Ele chegou à federação em 2013 para assumir a equipe Sub-19. Seu primeiro jogo foi em 5 de junho daquele ano, contra a Polônia, pelas eliminatórias do Europeu da categoria. A vitória por 1 a 0 garantiu a classificação espanhola para a fase final.
O primeiro grande título veio em 2015. A Espanha conquistou o Europeu Sub-19 ao derrotar a Rússia por 2 a 0 na decisão. Naquele elenco estavam três jogadores que, 11 anos depois, também seriam campeões mundiais com De la Fuente: Unai Simón, Rodri e Mikel Merino.
Em 2018, o treinador acrescentou o ouro dos Jogos do Mediterrâneo com a seleção Sub-18. No mesmo ano, assumiu a Sub-21 e, já em 2019, conduziu a equipe ao título europeu da categoria. Nesse estágio, seus números foram expressivos: 42 partidas, 34 vitórias, quatro empates e apenas quatro derrotas, aproveitamento de vitórias superior a 80%.
O passo seguinte foi a seleção olímpica. Nos Jogos de Tóquio, disputados em 2021, a Espanha chegou à final e terminou com a medalha de prata após perder para o Brasil na prorrogação. Pedri, Mikel Oyarzabal, Unai Simón, Marc Cucurella e Mikel Merino estavam entre os jogadores daquela equipe.
Segundo a própria RFEF, De la Fuente acumulou mais de 100 partidas nas categorias inferiores, considerando suas passagens pelas equipes Sub-18, Sub-19, Sub-21 e olímpica antes de chegar definitivamente à seleção principal.
Da oportunidade inesperada à seleção principal
Curiosamente, a estreia de De la Fuente no banco da seleção absoluta ocorreu antes de sua promoção definitiva. Em junho de 2021, ainda como treinador da Sub-21, ele comandou uma equipe formada às pressas contra a Lituânia depois que o elenco de Luis Enrique precisou ser isolado por causa de um caso de Covid-19. A Espanha venceu por 4 a 0.
A efetivação veio em dezembro de 2022, depois da eliminação espanhola no Mundial do Catar. O primeiro jogo do novo ciclo foi a vitória por 3 a 0 sobre a Noruega, em março de 2023.

O impacto foi imediato. Ainda em seu primeiro ano, De la Fuente conquistou a UEFA Nations League de 2023. Em 2024, veio a Eurocopa. A Espanha ainda foi vice-campeã da Nations League em 2025 antes de chegar ao maior título da era De la Fuente: a Copa do Mundo de 2026.
Ao levantar a taça mundial, o treinador completou exatamente seu 50º jogo à frente da seleção principal. O balanço até aquela decisão era de 38 vitórias, dez empates e apenas duas derrotas, o que significa 76% de vitórias. As únicas derrotas do período aconteceram contra a Escócia, pelas Eliminatórias da Euro 2024, e contra a Colômbia, em amistoso.
Um Mundial quase perfeito
A campanha de 2026 foi a síntese do trabalho. A Espanha disputou oito partidas, venceu sete e empatou apenas uma. Depois do 0 a 0 com Cabo Verde na estreia, foram sete vitórias consecutivas até a taça.
Na segunda rodada, a seleção espanhola goleou a Arábia Saudita por 4 a 0. Depois, fechou a fase de grupos com vitória por 1 a 0 sobre o Uruguai.
No mata-mata, o time de De la Fuente manteve o domínio. A Espanha venceu a Áustria por 3 a 0 na fase de 32 avos, eliminou Portugal por 1 a 0 nas oitavas de final, bateu a Bélgica por 2 a 1 nas quartas e superou a França por 2 a 0 na semifinal.
Na decisão, diante da Argentina, mais uma vitória por 1 a 0 confirmou o segundo título mundial da história espanhola.
Ao todo, a Espanha marcou 14 gols e sofreu somente um em todo o torneio. Unai Simón terminou a campanha com sete partidas sem sofrer gols.
A defesa espanhola estabeleceu ainda a menor marca de gols sofridos por uma seleção campeã mundial em uma única edição. De la Fuente também entrou para a história individualmente: aos 65 anos e 28 dias, tornou-se o treinador mais velho a conquistar uma Copa do Mundo, superando Vicente del Bosque.
A final completou um círculo simbólico. O primeiro título de De la Fuente com a Espanha havia sido conquistado em 19 de julho de 2015, no Europeu Sub-19. Exatamente 11 anos depois, em 19 de julho de 2026, ele voltou a ser campeão, desta vez no maior palco do futebol mundial.
Os números de Luis de la Fuente na Espanha
Desde 2013 na RFEF: mais de 100 jogos pelas categorias inferiores; títulos do Europeu Sub-19 de 2015, Jogos do Mediterrâneo de 2018 e Europeu Sub-21 de 2019, além da prata olímpica de Tóquio.
Sub-21: 42 jogos, 34 vitórias, quatro empates e quatro derrotas.
Seleção principal até a final da Copa de 2026: 50 jogos, 38 vitórias, dez empates e duas derrotas — 76% de triunfos.
Mundial de 2026: oito jogos, sete vitórias, um empate, 14 gols marcados e apenas um sofrido; sete partidas sem sofrer gols.
Títulos com seleções espanholas: Europeu Sub-19 (2015), Jogos do Mediterrâneo (2018), Europeu Sub-21 (2019), Nations League (2023), Eurocopa (2024) e Copa do Mundo (2026), além da prata olímpica em Tóquio.
A extensão até 2032 é a continuidade de um projeto iniciado 13 anos antes nas categorias de formação. De la Fuente chegou à RFEF trabalhando com jogadores que ainda davam os primeiros passos no futebol internacional e alcançou o topo do mundo ao lado de parte daquela mesma geração.
Agora, com contrato para atravessar mais duas Eurocopas e o Mundial de 2030, a Espanha transforma essa continuidade em política esportiva de longo prazo.





