Cabo Verde festeja vaga à segunda fase da Copa do Mundo — Foto: Reuters/Troy Taormina
Crônicas, Futebol, Futebol de Seleções

Cabo Verde: unidade, trabalho e progresso A história de um futebol humano e histórico

Foi a unidade que ergueu a muralha diante da Espanha. Foi o trabalho coletivo que resistiu ao Uruguai. E o foram coroados com o progresso diante da Arábia Saudita. Cabo Verde!

Os números explicam muita coisa. As estatísticas registram aquilo que é lógico. Os algoritmos calculam probabilidades. As casas de apostas transformam o futebol em porcentagens.

Mas há uma conta que nenhuma planilha consegue fechar. A da vontade.

Enquanto existir um homem disposto a correr mais uma vez, a dividir uma bola como se fosse a última da vida e a acreditar quando todos já desistiram, haverá possibilidade.

E, havendo possibilidade, haverá esperança.

Ontem, Cabo Verde foi maior do que qualquer porcentagem, do que qualquer ranking e do que toda a ciência das apostas.

Aos incrédulos e aos tediosos analistas dos números, resta a frustração. Porque o futebol jamais foi a ciência exata do 2 + 2 = 4.

O futebol continua sendo um retângulo verde, vinte e dois homens, uma bola e um milagre esperando para acontecer.

E foi exatamente isso que Cabo Verde mostrou ao mundo.

Invicto.

Classificado.

Num grupo que abrigava duas campeãs mundiais.

Há vitórias que entram para a história.

E há classificações que lembram ao mundo por que o futebol insiste em desafiar a lógica.

Futebol segue sendo o mais humano dos esportes.

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