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O futebol feminino brasileiro vive uma fase de crescimento consistente, com estádios mais cheios, maior exposição em mídia, protagonismo internacional das atletas e novas oportunidades para ampliação das receitas ligadas à modalidade. Ao mesmo tempo, clubes, federações, marcas e investidores ainda operam com lacunas de informação sobre gestão, finanças, base e estrutura competitiva.
O Relatório Futebol Feminino 2025 organiza informações, explicita gargalos e aponta caminhos de desenvolvimento sustentável para a modalidade. O documento destrincha a forma como os departamentos femininos são estruturados, a autonomia de decisão, as condições de infraestrutura, os custos operacionais dos jogos e os mecanismos de geração de receita.
“O estudo traz evidências para sustentar o que, na prática, já acompanhamos nas arquibancadas e nas transmissões. O relatório mostra que o Brasil tem público e talento, mas ainda precisa ajustar a engrenagem de gestão. A discussão sobre futebol feminino não pode se limitar à boa vontade. Ela precisa passar por orçamento, governança, calendário e modelo de produto. Com o documento, esperamos contribuir para a mudança de cenário que posicione o futebol feminino no lugar de destaque que ele merece”, comenta Roberta Nina Cardoso, da Dibradoras.
Relatório Futebol Feminino 2025
Com base em fontes oficiais, entrevistas com dirigentes e dados de mercado, o estudo divulgado analisa os clubes da Série A1 de 2025, além de Santos, Atlético-MG, Avaí e Botafogo. A publicação reúne dados inéditos e análises profundas sobre mercado e monetização (evolução de receitas, internacionalização de atletas e novas oportunidades de negócio); estrutura competitiva (desigualdades territoriais, impacto do calendário e comparativos entre competições estaduais e nacionais); gestão e clubes (cases positivos, práticas institucionais e desafios para escalabilidade); base e formação (o “mapa do sonho” das meninas brasileiras e como o estado onde nascem define caminhos e barreiras), e tendências 2025–2027 (diretrizes estratégicas para o futuro da modalidade).
O documento é o primeiro de uma série, já que o plano é fazer atualizações periódicas do estudo a partir de 2025, com edições trimestrais, aprofundando temas como base, receitas comerciais, matchday, transferências e tendências de consumo. A expectativa é que, com esse acompanhamento contínuo, o futebol feminino brasileiro avance para um patamar em que decisões estratégicas sejam, de fato, guiadas por dados, gestão profissional e visão de futuro.
Um dos pontos críticos identificados é a baixa autonomia institucional que muitos departamentos femininos enfrentam dentro dos clubes. Em diversas organizações, o feminino opera com equipes reduzidas e forte dependência de áreas que priorizam o masculino – cenário que compromete planejamento, inovação e desenvolvimento técnico. O relatório também evidencia a falta de clareza orçamentária. Muitas receitas potencialmente ligadas ao futebol feminino não são segregadas do masculino, impedindo uma leitura precisa do valor gerado pela modalidade. Essa opacidade reforça narrativas equivocadas sobre suposta falta de retorno e reduz a prioridade do tema nos processos de decisão.
Gestão do Futebol Feminino
Gerir uma modalidade esportiva como o futebol feminino exige uma equipe estratégica e administrativa sólida, capaz de organizar recursos, coordenar processos e garantir os melhores insumos para que o desempenho em campo seja sustentado fora dele. O futebol é um ecossistema complexo, que envolve diversos elos – técnicos, operacionais e
humanos. Por trás do time que entra em campo, há um departamento responsável por planejar o cotidiano, acompanhar o desenvolvimento das atletas e integrar as categorias profissional e de base. Nos clubes analisados, é possível identificar três níveis hierárquicos de liderança nos departamentos de futebol feminino.

Os diretores são aqueles que possuem maior autonomia para gerir a área e tomar decisões estratégicas, respeitando os orçamentos e diretrizes estabelecidas pelo clube. Já os gerentes têm papel intermediário, com menor poder de decisão, e costumam reportarse ao diretor executivo de futebol – responsável também pelo masculino – ou, em alguns casos, diretamente ao presidente. Por fim, há clubes que ainda operam sob a liderança de coordenadores, profissionais que acumulam funções administrativas e esportivas, conduzindo o departamento com estrutura mais enxuta.

Nos últimos anos, começam a surgir mudanças estruturais importantes. Alguns clubes já avançam rumo à maior autonomia, montando equipes médicas, de marketing e de performance exclusivas para o futebol feminino, sem a necessidade de compartilhar profissionais com o masculino. Embora determinadas áreas possam ter sinergias naturais entre os departamentos, outras são intrínsecas ao cuidado e à gestão das atletas, e
demandam atenção dedicada.
Com mais pessoas qualificadas e especializadas atuando na modalidade, os clubes conseguem desenvolver uma visão mais estratégica da operação, fortalecendo o feminino como um núcleo autônomo e essencial dentro da estrutura do clube.
Mercado de Transferências

no ano do que qualquer outra, somando um total de U$1,9 milhões, seguida da Zâmbia
com U$1,6 milhões de dólares;
Com brasileiras na mira de mercados estrangeiros, o mercado de transferência de atletas está crescendo e os principais clubes do Brasil já estão se destacando O sistema de transferências é um componente central da dinâmica do futebol profissional.
Por meio das transferências de chegada (aquisição ou empréstimo), os clubes mantêm ou elevam sua competitividade, reforçam a atratividade esportiva e impulsionam receitas associadas, como a venda de produtos oficiais.
Já as transferências de saída (venda ou empréstimo) representam uma fonte relevante de receita, contribuindo para a sustentabilidade financeira e a realização de novos investimentos. Essas receitas podem ser obtidas diretamente pelas taxas de transferência ou por meio do Mecanismo de Solidariedade, quando o clube participa da formação de
atletas transferidas internacionalmente.

- Das 8 transferências mais valiosas de atletas brasileiras, o Corinthians obteve retorno financeiro em 5 delas, seja via venda direta ou via Mecanismo de Solidariedade da FIFA. Esse resultado é reflexo do investimento do clube em atletas em seu período de formação, que vai dos 12 aos 23 anos. A tendência é que ao longo dos anos, os clubes que investem em categorias de base tenham valores cada vez mais representativos por receberem por mais anos de formação e pelo crescimento das taxas de transferência.
- Amanda Gutierres é a maior transferência de uma atleta saindo de um clube brasileiro, embora a maior transferência de uma atleta brasileira seja da Tarciane
Copa do Mundo Feminina de 2027
A realização no Brasil da Copa do Mundo Feminina de 2027 adiciona urgência às mudanças. O estudo aponta que a janela até o torneio é decisiva para que clubes, federações, marcas e investidores consolidem estruturas, alinhem expectativas e preparem a modalidade para um salto de competitividade.
“O documento não traz um ponto final, ao contrário, traz um ponto de partida, e não pretende apresentar soluções para todos os desafios. O relatório organiza informações, escancara o que ainda falta e convida o ecossistema a agir de forma coordenada. Está claro que o avanço do futebol feminino no Brasil depende de colaboração, governança e responsabilidade compartilhada, tanto entre quem joga, quem gere, quem investe e quem narra. A partir daqui, inauguramos um novo ciclo de responsabilidade coletiva entre clubes, federações, gestoras, atletas, marcas e mídia”, conclui Laura Guarnier, da Outfield.
Responsáveis pelo relatório
Para enfrentar esse descompasso e contribuir tanto para o amadurecimento do ecossistema, quanto apoiar decisões, a OutField – grupo focado em investimentos, inteligência e estratégia para esporte e entretenimento – e a Dibradoras – referência na cobertura do futebol feminino no país -, lançam o Relatório Futebol Feminino 2025, primeiro estudo nacional a consolidar, em um único documento, dados e análises sobre a estrutura dos clubes, modelos de gestão, cenário econômico, desenvolvimento de base e tendências para os próximos anos. A iniciativa conta com o apoio de Guaraná Antarctica, da Ambev, marca que há mais de duas décadas investe no futebol brasileiro, sendo patrocinadora oficial das Seleções Brasileiras, incluindo a feminina.
“Por décadas, o futebol feminino foi marcado por narrativas imprecisas e, muitas vezes, equivocadas. Sempre ouvimos que ninguém liga para futebol feminino, que a modalidade não dá retorno nem audiência. O relatório mostra outra realidade. Quando há contexto, calendário e oferta de produto, o público responde. Confrontamos os mitos com evidências concretas, mostrando que o cenário atual traz tendências claras de crescimento, engajamento e valor estratégico para o mercado esportivo no Brasil e no exterior”, afirma Ana Carolina Renaux, da Outfield.
A participação de Guaraná Antarctica como apoiadora tem também um propósito estratégico: fomentar a entrada de outras marcas no ecossistema e, assim, mobilizar mais investimentos para acelerar a profissionalização da modalidade. Esse compromisso se fortalece com a pesquisa nacional sobre Consumo do Futebol Feminino, realizada recentemente, que identificou Guaraná Antarctica como uma das marcas brasileiras mais lembradas pelo público quando o tema é futebol feminino, reflexo direto da consistência da atuação da empresa nos últimos anos.
“Guaraná Antarctica tem uma longa história de apoio ao futebol feminino no Brasil. Ao longo do tempo construímos uma plataforma estruturada em três objetivos, que são atrair meninas para o esporte, com iniciativas de base e projetos sociais, desenvolver clubes, competições e a própria Seleção, e amplificar a visibilidade das atletas e dos torneios. Com um mix de ações, a marca já impactou mais de 3,5 mil meninas e mulheres. Apoiar este relatório é parte do nosso compromisso com a transformação do futebol feminino no Brasil”, diz Bianca Parrella, diretora de Marketing de Não Alcoólicos da Ambev.






