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A PressFut teve acesso a decisão que condenou os dois torcedores uruguaios pelos atos de vandalismo no Recreio dos Bandeirantes, ocorridos em outubro de 2024, antes de uma partida do Penãrol contra o Botafogo pela Copa Libertadores da América. “Los Pibes”.
Enquanto Bruno Nicolas Nanchez Moreira, condenado a seis meses de prisão por lesão corporal e resistência admitiu ter arremessado pedras por “impulso”, Sérgio Gabriel Silveira Balbuena, condenado a dois meses de prisão por resistência, negou as acusações. Apesar das condenações, os dois indiciados responderam em liberdade. Dessa forma, os réus também têm direito de apelar a decisão em liberdade.
Depoimentos
Em depoimento, Sérgio Gabriel relatou que ao chegar ao ponto de encontro na praia do Recreio, onde haviam combinado previamente, não soube explicar como a confusão começou:
“Por volta das 11h, iniciaram-se confusões com a população brasileira. Tentou acalmar e conter a situação, mas havia muitas pessoas e não conseguiu. A polícia interveio não para resolver o problema, mas para imobilizá-los, deixando-os sem poder fazer nada. Durante a confusão, tiveram pertences do ônibus (de turismo) roubados, como documentos, roupas e outros objetos. A polícia os “reduziu” e os colocou sentados no local indicado pelos policiais, perto de um carro Chevrolet branco e, quando esse carro foi retirado, encontrou-se uma arma no local. Não soube afirmar se a arma já estava ali antes, que havia muita confusão, muita polícia e muitos brasileiros… Não lançou pedras em nenhum momento. A população brasileira também jogava pedras.”
No caso, Sérgio rebate a versão dos policiais militares que foram atingidos por pedras lançadas pelos indiciados. Inclusive, os depoimentos dos agentes foram aprovados como “harmônicos”, sem contradições relevantes, especialmente em juízo. Em dos relatos, um policial relembra as cenas de selvageria:
“O cenário encontrado era de ‘cena de guerra’, com carros e motos pegando fogo, hotel depredado e grande número de torcedores, muito superior ao efetivo policial no local…”
Enquanto Sérgio negou a participação, Bruno confessou o crime:
“…assume ter arremessado pedras em direção aos policiais, embora não soubesse que poderia atingir um policial…pegou uma pedra que havia caído próximo e a lançou na direção de onde estavam vindo os ataques; […] ao lançar pedras, agiu no impulso, porque também estava sendo atacado pela multidão.”
Relembre o caso “Los Pibes”

O caso aconteceu no dia 23 de outubro de 2024. Na ocasião, Botafogo e Peñarol se preparavam para o primeiro jogo da semifinal da Copa Libertadores. Ainda durante a manhã, torcedores uruguaios que desembarcaram em ônibus de turismo no Recreio dos Bandeirantes, começaram a arrumar confusões na praia.
Dezenas de homens com pedaços de madeira e barras de ferro nas mãos arremessaram pedras e objetos em direção a outras pessoas. Os alvos dos vândalos não foram apenas torcedores do Botafogo, que sequer estavam na região. Os ataques foram, principalmente, contra trabalhadores da orla, nas proximidades da Praia do Pontal.
Uma moto que estava estacionada foi incendiada, e outras foram jogadas no chão. Ao todo, 250 torcedores do Peñarol que tomaram o asfalto, foram detidos e levados para a Cidade da Polícia.
Cinco meses após o caso, 21 torcedores ainda permanecem no Rio respondendo por crimes de dano à corrupção de menores, passando até por associação criminosa e rixa. Enquanto alguns estavam proíbidos de deixaram o Brasil, outros estavam presos. Depois, outros 10 torcedores foram liberados após impasse entre a Justiça e o Ministério Público do Rio.
Um ano depois do caso, quatro torcedores ainda permaneciam no Rio. E por fim, foram recebendo liberdades condicionais.
“Los Pibes inocentes” e a goleada histórica

Desde o dia da confusão, torcidas organizadas do Peñarol ganharam o aval do presidente do clube, Ignacio Ruglio, para protestarem contra o Brasil, alegando que os “meninos” do Peñarol eram inocentes. Inclusive, ganharam apoio de alguns torcedores argentinos, que levavam cartazes com a frase “Liberdad para Los Pibes” em diferentes jogos. Todavia, a torcida do Botafogo começou a utilizar a frase para debochar da situação. Principalmente após golear o Peñarol por 5 a 0 no mesmo dia, no Estádio Nilton Santos. Na ocasião, o alvinegro terminou a competição sendo campeão da Libertadores.






