FIFA recua e desiste de plano que provocou crise com a UEFA
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FIFA recua e desiste de plano que provocou crise com a UEFA Pressionada por federações de diferentes continentes, entidade abandona proposta de vender participação em empresa que administraria os direitos comerciais da Copa do Mundo e evita um boicote às suas competições

A FIFA desistiu do projeto que previa a venda de uma participação na FIFA Forward Enterprise (FFE), empresa criada para administrar os direitos comerciais da Copa do Mundo e de outras competições da entidade. O recuo ocorreu após uma forte reação de confederações continentais, lideradas pela UEFA, que chegaram a aprovar um boicote aos torneios organizados pela FIFA caso a proposta fosse mantida. A informação foi divulgada, na sexta-feira (31), pela agência Reuters.

O projeto previa a venda de 20% da nova empresa a investidores privados. Segundo a Reuters, a FIFA estimava arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões com a operação, enquanto a FFE era avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões.

A proposta, no entanto, encontrou resistência imediata. Conforme noticiado pela Associated Press (AP), a UEFA argumentou que a Copa do Mundo representa um patrimônio do futebol e não deveria estar vinculada a interesses de investidores privados. A entidade também criticou a ausência de diálogo durante a elaboração do projeto.

Em reunião extraordinária, as 55 federações filiadas à UEFA aprovaram, por unanimidade, um boicote condicionado às competições organizadas pela FIFA caso a venda fosse concretizada. A decisão colocaria em risco a participação das seleções europeias em torneios como a Copa do Mundo, o Mundial Feminino e o Mundial de Clubes.

Diante da pressão, a FIFA anunciou que retirou a proposta de discussão. Em comunicado reproduzido pela Reuters, a entidade afirmou que continuará trabalhando pelo desenvolvimento do futebol mundial e que seguirá dialogando com as confederações e associações nacionais antes de apresentar novas iniciativas relacionadas à exploração comercial de suas competições.

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O recuo foi recebido positivamente pela UEFA. Segundo a Reuters, a entidade classificou a decisão como “uma vitória para todo o futebol”, mas afirmou que o episódio provocou um desgaste na relação com a FIFA. A confederação europeia também defendeu que futuras mudanças estratégicas sejam discutidas de forma transparente e em conjunto com todas as partes envolvidas.

A crise repercutiu em outras confederações. Conforme reportado, entidades como a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a CONCACAF manifestaram preocupação com a forma como o projeto foi conduzido, especialmente pela falta de consultas prévias às organizações continentais.

Embora a ameaça de boicote tenha sido encerrada com a retirada da proposta, o episódio ampliou os questionamentos sobre a governança da FIFA e aumentou a pressão sobre o presidente Gianni Infantino. De acordo com a Reuters, dirigentes europeus defendem que o caso sirva como ponto de partida para uma revisão dos processos de tomada de decisão dentro da entidade.

Com o recuo, a FIFA evita aquela que poderia se tornar a maior crise institucional da história recente do futebol. Ainda assim, o episódio deixa evidente que decisões envolvendo o futuro comercial das principais competições do esporte dificilmente avançarão sem amplo consenso entre as confederações continentais.

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