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Guerra do Afeganistão, Guerra do Iraque, recorrentes conflitos em Gaza e a recente guerra no Irã. Esses são apenas alguns exemplos de conflitos que ocorreram recentemente no mundo. Ao longo de sua história recente, os países que compõem o chamado “Oriente Médio” viveram sob guerras e conflitos intensos, seja em guerras internas ou em conflitos com potências externas. É inegável que a tensão e a violência existentes nesses países deixaram feridas profundas na sociedade, afetando aspectos sociais, econômicos e, inclusive, o desenvolvimento esportivo em diferentes modalidades. Afinal, sem infraestrutura e investimento não há desenvolvimento esportivo, sendo muitas vezes a única opção viável se refugiar em outros países para continuar a formação esportiva.
Imigração para a Europa
Por meio da imigração para países europeus em busca de melhores condições de vida, grande parte desses atletas nasceu ou desenvolveu-se em outros países por conta das guerras que assolaram suas nações de origem. Fato que contribui para a alta quantidade de atletas provenientes do Oriente Médio com dupla nacionalidade residindo na Europa.
Usando como exemplo o futebol, dados do site especializado Transfermarkt apontam que existem atualmente cerca de 250 jogadores afegãos atuando profissionalmente. Grande parte dos principais nomes da seleção do Afeganistão possui dupla nacionalidade europeia e atuam em times de menor expressão.
Mesmo longe dos conflitos e vivendo em uma nova realidade, ainda há grande disparidade entre esses atletas em comparação aos do restante do mundo, seja por questões de desenvolvimento esportivo, raciais ou até culturais. Poucos jogadores conseguem figurar entre as principais ligas do mundo, mesmo com a maioria possuindo dupla nacionalidade.
Neste ano, temos somente três jogadores do Oriente Médio atuando nas primeiras divisões das cinco principais ligas da Europa, sendo todos israelenses. Manor Solomon e Omri Gandelman, que atuam na liga italiana, e o jovem Tay Abed, que atua na liga espanhola — detalhe que todos possuem dupla nacionalidade europeia.
Refugiados e jogos olímpicos

Desde Rio 2016, os Jogos Olímpicos contam com a seleção Olímpica de Refugiados (EOR). Embora seja verdade que a equipe conte com refugiados de diversas partes do mundo, atletas do Oriente Médio representam a maioria.
Em Paris 2024, a seleção contou com 37 atletas, número recorde de participação, com a maior parte dos competidores oriundos do Oriente Médio, distribuídos entre Irã, Síria e Afeganistão.
Um fato curioso é que a maior potência esportiva olímpica entre esses países pertence ao Irã. Na última Olimpíada foram conquistadas doze medalhas: três de ouro, seis de prata e três de bronze. Por coincidência ou não, todas vieram por meio de artes marciais.
Em contrapartida, os demais países sofrem com a instabilidade causada pelas guerras. O Afeganistão, por exemplo, possui apenas duas medalhas de bronze em toda a sua história olímpica e enviou somente nove atletas na última década.
Arábia Saudita e investimento no esporte

Cristiano Ronaldo, Benzema, Kanté, Neymar, Coman, Rúben Neves e Darwin Núñez. Nos últimos anos, a Arábia Saudita tem investido massivamente no esporte, colocando o país no mapa do futebol mundial e no radar do mercado de transferências devido às grandes quantias envolvidas nas negociações, atraindo jogadores consagrados da Europa e jovens talentos de diversos países.
O país tem investido fortemente na modalidade e reformulado sua estrutura interna a fim de revelar novos talentos para o futebol mundial. Sede da Copa do Mundo de 2034, estima-se que os investimentos aumentem ainda mais.
O que pouca gente sabe é que esse investimento vai além do futebol, com destaque também para o golfe, automobilismo, tênis e até e-sports. Aos poucos, a Arábia Saudita tenta deixar para trás a histórica instabilidade associada ao Oriente Médio e caminha a passos largos para se tornar uma das potências esportivas da região — e, quem sabe, do mundo.
Irã fora da copa ?

Devido aos conflitos recentes contra os Estados Unidos, o ministro do Esporte do Irã, Ahmad Donyamali, comunicou na última quarta-feira (11) que o país não participará da Copa do Mundo. Sediada nos Estados Unidos, México e Canadá, a declaração foi transmitida pela TV estatal do governo iraniano.
Na última semana, o Irã foi o único país a não participar da cúpula de planejamento da FIFA sobre a Copa do Mundo.
Em uma região marcada por conflitos e instabilidade, o esporte acaba refletindo as mesmas dificuldades enfrentadas pela sociedade. Falta de investimento, de infraestrutura e deslocamento forçado de populações impactam diretamente a formação de novos atletas e o desenvolvimento esportivo.
Ainda assim, histórias de superação continuam surgindo, seja por meio de atletas refugiados, na Europa ou de investimentos estratégicos em países específicos. Em meio às tensões geopolíticas, o esporte permanece como uma das poucas ferramentas capazes de conectar culturas, oferecer oportunidades e projetar novos caminhos para uma região que ainda busca estabilidade.






