Vasco acerta contratação de Claudio Spinelli
Futebol, Futebol Nacional

De Herrera a Spinelli: Como o Vasco ressignificou o seu ataque com argentinos Com Spinelli, clube chega a sua sexta contratação de atacante argentino para o comando do ataque no século. Relembre nomes que fizeram parte da história recente.

Não é surpresa que nos últimos anos o time da colina “revelou” atacantes argentinos a nível nacional. Mesmo com certo prestígio dos jogadores em seus times anteriores, atuando no clube de São Januário, eles alcançaram visibilidade continental pelas suas atuações e despertaram interesse de clubes brasileiros e latino-americanos.

É inegável que a torcida vascaína possui em sua memória recente esses nomes e a bandeira argentina fincada na pequena área adversária. Com a contratação de Claudio Spinelli, vindo do Independiente Del Valle, após ano de bons números no time equatoriano, o gigante da colina chega ao sexto argentino contratado especificamente para atuar no seu comando de ataque.

Relembre as passagens desses jogadores na equipe cruz-maltina:

Germán Herrera:

Herrera exibe o escudo do Vasco em São Januário Foto: Divulgação / Vasco
Herrera exibe o escudo do Vasco em São Januário. Foto: Divulgação / Vasco

Vindo do futebol dos Emirados Árabes a custo zero após passagem de certo prestígio pelo Botafogo, o atacante desembarcou em São Januário com a responsabilidade de ser o homem gol do time no último semestre de 2015. Homem de confiança do treinador Celso Roth, com quem já tinha trabalhado no Grêmio, o atacante tinha a concorrência dos atacantes Gilberto, Riascos e Thalles na disputa da titularidade. Contudo o jogador não conseguiu se firmar tendo jogado 16 jogos e marcado somente 1 gol na Copa do Brasil. Saiu no fim do mesmo ano. Sendo mais lembrado pelo o gol que perdeu contra o Palmeiras no brasileirão daquele ano.

Andrés Ríos:

Andres Rios comemora gol do Vasco contra o Fluminense em São Januario. Foto: Alexandre Durão
Andres Rios gol Vasco Fluminense São Januario — Foto: Alexandre Durão

Contratado em Julho de 2017 do Defensa y Justicia após chapéu no Botafogo, o atacante vinha para ser mais uma opção de atacante de lado do que propriamente um camisa 9 de ofício. Naquela altura Luís Fabiano era titular da posição mas já apresentaria indícios iminentes de uma nova lesão, fato que realmente se concretizou. Com a lesão de Luís Fabiano, Andrés Rios ganhou oportunidades e virou titular da equipe comandada pelo então técnico Zé Ricardo. Embora tenha virado titular da equipe o atacante anotou somente 3 gols em 17 jogos no Brasileirão de 2017, mesmo com o desempenho abaixo de Rios, a equipe Vascaína classificou-se para a pré-libertadores, fato que não acontecia desde 2012.

Andrés Rios inicia o ano de 2018 ainda como titular da equipe, já que a equipe cruz maltina sequer contratou um atacante para disputar vaga com o argentino. O Vasco consegue passar para a fase de grupos da Libertadores, porém, com uma sequência de jogos ruins atuando em casa não passa de fase e caí na Sulamericana para a LDU de Quito. Inclusive, Rios não marcou nenhum gol durante essas campanhas. No Brasileiro o Vasco encaminhava para mais um ano pensando em uma possível luta contra o rebaixamento até que pela ineficiência de seu atacante e pressão da torcida, a diretoria vascaína vai atrás de peças no mercado de meio de ano e contrata quem viria ser seu sucessor no comando de ataque do Vasco, Maxi Lopez.

Ou seja, mesmo sendo titular durante a maior parte da sua estadia em São Januário, Andrés perderia espaço para o recém contratado Maxi Lopez e deixaria o Vasco em janeiro de 2019 com 71 jogos e 15 gols marcados, não deixando saudades na torcida.

Maxi Lopez:

Maxi López comemora um gol com a camisa do Vasco. Foto: Jorge R Jorge/BP Filmes
Maxi López comemora um gol com a camisa do Vasco. Foto: Jorge R Jorge/BP Filmes

Contratado em Julho de 2018, vindo da Udinese da Itália, dado a falta de efetividade do até então atacante titular Andrés Rios, Maxi chega ao Rio de Janeiro com o clube na décima primeira colocação, contudo, o clube já dava indícios de queda de rendimento onde oscilou engatando sequências de jogos sem vitórias, que culminaram com a demissão do técnico Zé Ricardo. Maxi demora a fazer sua estreia pelo time dado alguns problemas com peso que demonstrava, fato que fez ele receber o apelido de “Trator”. Sua estreia acontece 3 semanas depois de sua apresentação com derrota diante do Palmeiras jogando alguns minutos. Mesmo enfrentando problemas de sequência Maxi marcaria seu primeiro gol diante da Chapecoense, em noite que contribuiu com mais 2 assistências.

Maxi Lopez viria a ser peça fundamental na sequência final do campeonato brasileiro onde o clube mais uma vez lutou contra o rebaixamento. Sozinho o atacante argentino foi responsável direto por 12 pontos naquela campanha, marcando os gols de empate nas partidas contra Paraná, Botafogo, Internacional e garantindo as vitórias contra Cruzeiro, Fluminense e Chapecoense, atuações que fizeram com que o jogador tivesse o carinho da torcida durante a sua estadia na colina. No fim da competição o Vasco ficou na décima sexta colocação do Brasileirão salvando-se na última rodada graças a um empate contra o Ceará e a derrota do América-MG, rival direto na luta.

Maxi Lopez deixaria o clube em maio de 2019 após problemas pessoais e salários atrasados. Atuando em 38 partidas, anotando 11 gols e 8 assistências. No brasileirão de 2018 foram 19 jogos, 7 gols e 6 assistências salvando o time do rebaixamento e conquistando assim prestígio com a torcida.

Germán Cano:

Cano comemora gol com a camisa do Vasco. Foto: Alexandre Durão/ge
Cano comemora gol com a camisa do Vasco. Foto: Alexandre Durão/ge

Germán Cano dispensa apresentações… artilheiro pelo Vasco e posteriormente Rei da América pelo rival Fluminense. Cano chega ao Vasco no começo de 2020 vindo de graça do Independiente Medellín da Colômbia, após os seus dois melhores anos como profissional até então anotando 78 gols em 114 jogos. Cercado de expectativa, com recepção no aeroporto, Cano desembarca com a alcunha de titular absoluto por suas boas temporadas no Campeonato Colombiano. Expectativa que de certa forma foi atendida no começo. Cano chamaria atenção somente no campeonato brasileiro onde ficou conhecido por sua letalidade dentro da pequena área. Embora, vindo de duas temporadas anteriores incríveis, a equipe Vascaína “revelaria” o atacante da camisa 14 para o Brasil.

É unanimidade que o argentino foi o jogador certo no momento errado. Mesmo sendo destaque da equipe no brasileirão com 14 gols o time terminaria rebaixado no Brasileirão daquele ano. Com times tecnicamente fracos e momento externo conturbado nem a genialidade de Cano foi capaz de salvar o time, além disso o jogador ficaria marcado com um pênalti perdido contra o Internacional que praticamente selou o rebaixamento da equipe cruz-maltina.

Relação abalada

O planejamento de 2021 se inicia e para a surpresa de muitos, mesmo com todo o destaque e o time na série B, Cano continua na equipe Vascaína. O atacante disputa toda a temporada com vaga cativa na equipe titular onde continuou marcando seus gols. Entretanto, o atacante ficaria marcado negativamente com mais um pênalti desperdiçado contra o Guarani em momento importante, onde manteria o time vivo na briga pelo acesso, com a partida até então empatada. De quebra, nos acréscimos a equipe do interior de São Paulo marca o gol que praticamente sela a permanência vascaína por mais um ano na Série B. Com a curiosidade que o técnico Fernando Diniz, atual treinador da equipe, comandou a equipe vascaína durante parte da campanha.

Nas partidas posteriores, o time de São Januário oscilou entre empates e derrotas. Terminando o Brasileirão daquele ano na décima colocação. Com Cano sendo vaiado em uma das partidas finais.

Com mais um ano na segundona o clube acarretou problemas no pagamento de salários o que causou litígios com o atacante argentino, fora o desprestígio com parte da torcida e até com parte dos dirigentes. Cano sairia no começo de 2022 rumando ao Fluminense e posteriormente viveria anos mágicos em solo brasileiro. Pelo Vasco o atacante atuou em 101 jogos marcando 43 gols, se tornando assim o segundo estrangeiro com mais gols pelo clube e maior do século naquela altura, deixando um misto de sentimentos na torcida.

Pablo Vegetti:

'Pirata' Vegetti comemora gol do Vasco em São Januário. Foto: André Durão
‘Pirata’ Vegetti comemora gol do Vasco em São Januário. Foto: André Durão

Talvez o nome que a torcida Vascaína é mais identificado dessa lista. Vindo do Belgrano da Argentina no segundo semestre de 2023. Vegetti não era o alvo principal da equipe, mas sim o uruguaio Michael Santos do Talleres com quem dividiu a artilharia do campeonato argentino ambos com 13 gols, quis o destino que o “Pirata”, apelido que adotou dos seus tempos de Belgrano, desembarcasse na Colina Histórica.

Vegetti chega cercado de desconfiança, não só pela sua idade considerada avançada mas também por ter vindo de sua primeira temporada artilheira em uma grande liga. Contratado totalmente fora do padrão que a 777 Partners institui no clube, Vegetti só chegaria ao Vasco muito por conta do treinador Rámon Díaz que entendia que o time precisava de mais experiência, já que o time se encaminhava para mais um ano lutando contra o rebaixamento.

A verdade é que Pablo Vegetti caiu como uma luva no time do Vasco e se identificou rapidamente com a torcida. Em seus primeiros dois jogos pelo Vasco o atacante mostrou suas principais características, a letalidade no cabeceio garantindo a vitória contra o Grêmio em sua estreia e a excelência nas cobranças de pênalti empatando com o Bragantino na rodada posterior. Mesmo com o ano difícil o “Pirata” seria artilheiro da equipe com 10 gols e ajudar o Vasco a se manter por mais um ano na série A do Campeonato Brasileiro.

A consolidação

O Vasco inicia o ano de 2024 cercado de expectativas, ano que seria o primeiro do Presidente Pedrinho a frente do clube. Mesmo com o externo instável após diversas complicações envolvendo a 777 Partners o Vasco tem um ano relativamente tranquilo. Entretanto, para Vegetti, esse seria o ano de consolidação como um dos maiores atacantes do Brasil. O atacante vira peça fundamental do time, inclusive assumindo a capitania.

Com seus gols e liderança que demonstrava em campo Vegetti caiu nas graças da torcida e caminhava a passos largos para se tornar ídolo da equipe cruz maltina. Naquele ano Vegetti jogaria 54 jogos e marcaria 23 gols, sendo artilheiro da Copa do Brasil e levando o Vasco a semifinal da competição contra o Atlético-MG, onde é eliminado. Uma das cenas que mais viralizaram na eliminação foi o choro do Vegetti, onde de certa forma, fez a torcida aumentar ainda mais a idolatria por ele.

Contudo, o ano de 2025 guardaria mais para Vegetti. Ano em que seria artilheiro do Brasil, com 27 gols e chegaria a final da Copa do Brasil pela equipe de São Januário. Vegetti ainda se tornaria o maior artilheiro estrangeiro do século e assumiria o posto de segundo maior da história, marca antes atingida por Gérman Cano. Mesmo com toda a sua liderança e gols, o “Pirata” enfrentaria um período na reserva da equipe.

Era um exímio cabeceador e se posiciona na área como poucos, porém, com a bola no pé Vegetti enfrentava muitos problemas, o que conflitava diretamente com o estilo de jogo do técnico Fernando Diniz. Embora, estivesse na reserva Vegetti continuaria como símbolo de liderança e referência no elenco.

Momentos finais

Seria de Vegetti o gol nos minutos finais da partida contra o Fluminense que levaria o Vasco a final da Copa do Brasil após 14 anos. Mesmo que, tivesse marcado o gol, é verdade que perderia o seu pênalti na disputa para levar a finalíssima,  sem seu gol o Vasco potencialmente não disputaria a final contra o Corinthians. Ainda recente na memória da torcida, a equipe vascaína perderia a final adiando mais uma vez o que seria seu primeiro título pelo clube e a consolidação na prateleira de ídolos. Sendo marcado mais uma vez por um choro sincero após a derrota.

Ainda não se sabe ao bem o motivo da sua saída da equipe vascaína no começo desse ano indo ao Cerro Porteño do Paraguai, algo que talvez a torcida não imaginaria, ainda que, não tenha conquistado nenhum título, o “Pirata Vegetti” possui o carinho e respeito da torcida Vascaína. Vegetti encerra sua passagem pelo Vasco tendo atuado em 141 jogos e marcando 60 gols.

 

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