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Anunciado oficialmente pelo Botafogo nesta segunda-feira (22), o técnico Martín Anselmi possui um bom retrospecto contra equipes brasileiras. Campeão da Sul-Americana contra o São Paulo, e campeão da Recopa Sul-Americana contra o Flamengo, o argentino conquistou quatro títulos em quatro anos de carreira. Todavia, deixou a desejar no último trabalho, no Porto, onde foi eliminado da Copa do Mundo de Clubes perdendo e empatando com times considerados menores.
Bielsista, o treinador de 40 anos é tratado como um dos mais promissores da América do Sul. Nos continentes americanos, carrega trabalhos bem estruturados, principalmente pelo Independiente Del Valle, no Equador, e também pelo Cruz Azul, no México. Entretanto, ficou marcado por não corresponder à primeira oportunidade na Europa.
Livre no mercado desde que deixou o Porto após o Mundial de Clubes, o treinador assinou um contrato com o Botafogo até o fim de 2027 e chega para ocupar o cargo deixado pelo italiano Davide Ancelotti. Com ele, chegam também os auxiliares Luis Piedrahita e Pablo De Muner, o preparador físico Diego Bottaioli e o preparador de goleiros Darío Herrera.
O começo promissor
Após uma breve passagem como auxiliar técnico de Miguel Ángel Ramírez no Internacional, Martín Anselmi conseguiu a primeira oportunidade como treinador principal no Unión La Calera do Chile. O período no entanto, foi o mais curto da carreira até o momento. Após 16 jogos, ele foi chamado para voltar para o Independiente Del Valle, onde era auxiliar antes de ir para o Internacional. Dessa vez, a oportunidade também era para ser o técnico titular.
No time equatoriano, Anselmi encontrou o cenário perfeito para trabalhar. Um clube bem estruturado, com uma filosofia institucional clara e um elenco moldado ao longos dos anos para um jogo associativo, como o de Marcelo Bielsa, no qual Anselmi reconhece como ídolo e referência profissional.
Dessa forma, o treinador argentino conseguiu implementar de forma ráída, um modelo de jogo ofensivo e de acordo com o que pensa sobre o futebol. Com construção desde a defesa e pressão pós-perda, conseguiu consolidar em resultados, a forma de jogar. Além dos títulos da Sul-Americana contra o São Paulo de Rogério Ceni, e da Supercopa Sul-Americana contra o Flamengo de Vítor Pereira, Anselmi também levantou as taças da Copa do Equador e da Supertaça Equador.
Jogo bonito
Apesar de ser conhecido por jogar com uma linha de três zagueiros, Anselmi consegue se adaptar aos ambientes, mas costuma demorar a engrenar. Por isso, a rápida decisão do Botafogo em contratá-lo foi considerada fundamental para começar a temporada já com o treinador. Embora flexível, Anselmi acredita muito nas próprias convicções. Em um dos piores times do Porto nos últimos anos, acabou não dando certo, mas a balança pende para o lado positivo.
No Independiente Del Valle, não abriu mão do estilo de jogo propositivo e paciente. Com calma, trocando passes de um lado para o outro, colocou o São Paulo de Rogério Ceni na roda jogando a final da Sul-Americana, mostrando que apesar da camisa pesada do tricolor, era o Del Valle o time a ser batido.
El Independiente del Valle de Martín Anselmi en una final internacional contra São Paulo.
pic.twitter.com/ZaqFgCWdnd— Gus (@gusxrp13) November 25, 2025
Martín Anselmi contra times brasileiros:

- Independiente del Valle 1 a 1 Santos – Copa Sul-Americana de 2022
- São Paulo 0 a 2 Independiente del Valle – Final da Copa Sul-Americana de 2022
- Independiente del Valle 1 a 0 Flameng0 – 1º jogo da final da Recopa Sul-Americana de 2023
- Flamengo 1 (4) a (5) 0 Independiente del Valle – 2º jogo da final da Recopa Sul-Americana de 2023
- Corinthians 1 a 2 Independiente del Valle – Copa Libertadores de 2023
- Independiente del Valle 3 a 0 Corinthians – Copa Libertadores de 2023
- Porto 0 a 0 Palmeiras – Mundial de Clubes de 2025
Novo desafio no Cruz Azul
Após conquistar quatro títulos pelo Del Valle em um projeto estruturado, era hora de dar um próximo passo. Longe dos holofotes e da organização encontrada no Equador, Anselmi assumiu o Cruz Azul do México precisando dar uma repaginada no clube. Mesmo sem conquistar títulos, o argentino conseguiu transformar rapidamente a equipe tornando-a competitiva novamente. No time mexicano, foi finalista do torneio Clausura, mas perdeu a decisão para o América, do brasileiro André Jardine, também sondado pelo Botafogo antes da chegada do técnico Davide Ancelotti.
Já nas outras competições, amargou eliminações a partir da dificuldade em transformar o domínio do jogo em gols e vitórias. Talvez pela falta de jogadores para assumir o protagonismo, ou mesmo a ineficiência final do trabalho.
Porto: o ponto fraco da carreira de Anselmi
Como exceção de um técnico sul-americano, Martín Anselmi rumou para a Europa para assumir o Porto, de Portugal. E pela primeira vez, encontrou um ambiente com ideias resistentes. A construção desde trás e o complexo modelo Bielsa tornou os dragões vulneráveis defensivamente. A maior crítica dos torcedores do Porto, para além dos resultados, são os números defensivos. Foram 54 grandes chances cedidas em apenas 21 jogos. E os 57.1% de aproveitamento, não foram o bastante para Anselmi começar uma temporada do zero. Para os mais otimistas botafoguenses, fica o consolo de que esse foi o mesmo defeito de Artur Jorge no Braga. Mas ao chegar no Brasil, o técnico com uma das piores defesas de Portugal, tornou-se o técnico com a melhor defesa da América do Sul, conquistando a Libertadores e o Campeonato Brasileiro.
Há quem diga que a passagem de Anselmi pelo Porto foi um choque de realidade, e que agora, o argentino se tornará mais flexível ao elenco e as tradições dos clubes. E é justamente disso, que o Botafogo precisa no momento. Instável politicamente e sem conquistar nenhum título em 2024, o elenco alvinegro conta com um dos maiores investimentos e terá que se classificar na altitude, na pré-Libertadores.
Martín Anselmi no Botafogo
Embora ainda não tenha anunciado reforços, o glorioso possui peças que se encaixam com o modelo de jogo do treinador. Usando ou não um esquema com três zagueiros, no qual Bastos é familiarizado pela passagem pela Lazio, Anselmi conta com zagueiros construtores, como Alexander Barboza e David Ricardo, para sair jogando e quebrar linhas de marcação. No Del Valle, quem fazia muita essa função era o zagueiro Luis Segovia, que acabou deixando o Botafogo após o fim do contrato.
Normalmente trabalhando com uma zona de dois meias, nomes como Montoro, Santi Rodríguez e Barrera tendem a se tornarem cada vez mais importantes. Além deles, Savarino e Joaquín Correa podem ter a chance de recuperarem o potencial máximo que podem entregar.






