Venda do Newcastle: Torcida do Crystal Palace ironiza torcedores do Newcastle. Crédito: Charlotte Wilson/Offside/Getty Images
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Venda do Newcastle gera provocações e reabre discussão sobre a prática de sportswashing no Reino Unido

Daniel Dutra
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Com a venda do Newcastle, a Premier League ganhou um novo “time mais rico do mundo”. Contudo, alguns rivais têm ironizado os torcedores ao lembrar que o dinheiro do novo dono, é banhado de sangue.


Em abril de 2020, enquanto Mike Ashley tentava vender o Newcastle United, trouxemos uma discussão que rolava na época: você torceria para seu time se ele fosse vendido a um ditador? Naquele momento, um coletivo de torcedores do Newcastle, chamado “Toon For Chance” tentava resistir a essa situação enquanto procurava outros interessados na compra do clube.

Entretanto, mais de um ano se passou e eles não conseguiram evitar a venda do clube de coração ao grupo de investimento de Mohammad Bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita. Mas por que essa preocupação?

A preocupação desses torcedores se deve ao fato de MBS ser um ditador sanguinário que encomendou o esquartejamento do jornalista Jamal Khashoggi em 2018. Segundo a agência Reuters, MBS vinha perdendo a preferência na linha de sucessão. Por isso, o príncipe precisava aumentar sua popularidade.

É aí que entra a prática de sportswashing! Utilizando-se de um esporte altamente passional, Bin Salman comprou o Newcastle para aumentar sua popularidade pelo mundo tornando-se o “salvador” do tradicional clube inglês.

Você torceria para seu time se ele fosse vendido a um ditador?

Provocação rival vira caso de polícia

Torcida do Crystal Palace ironiza torcedores do Newcastle. Crédito: Charlotte Wilson/Offside/Getty Images
Torcida do Crystal Palace ironiza venda do Newcastle. Crédito: Charlotte Wilson/Offside/Getty Images

Ao se livrar do antigo dono e tornar-se o clube mais rico do mundo, os torcedores do Newcastle entraram em êxtase e começaram a cantar “nós somos Árabes!”. Todavia, alguns rivais como o Crystal Palace trataram de lembra-los dos crimes de Bin Salman.

Em uma faixa (imagem acima) levada ao estádio no empate contra o Newcastle, os torcedores do Crystal Palace chegaram a listar supostos crimes como: “terrorismo, decapitações, abuso de direitos humanos, assassinato, censura e perseguição”. Além disso, desenharam o príncipe ditador prestes a decapitar um “magpie”, o mascote do Newcastle.

Segundo a faixa, esses crimes seriam o “teste para proprietários da Premier League”. Por isso, à direita, aparece Richard Masters, chefe executivo da Premier League. Na faixa, ele aparece aprovando a compra do clube enquanto pisa em dinheiro sujo de sangue.Na outra mão, uma bandeira LGBT, que a liga defende, mas que o príncipe Árabe persegue.

De acordo com a polícia local, houveram algumas denúncias de que a faixa seria racista com o povo árabe. Em nota, os torcedores defenderam o direito de se manifestar enquanto um grupo LGBT aplaudiu o protesto e evocou o movimento.

O que dizem as organizações sobre a venda do Newcastle?

Portanto, as provocações rivais se tornarão normais nos jogos do Newcastle. Antes do Crystal Palace, alguns torcedores do Tottenham levaram cartazes lembrando os crimes de Bin Salman.

Em e-mail enviado à ESPN, ainda durante as negociações, a Anistia Internacional tratou de alertar que a compra nada mais seria do que uma prática de Sportswashing.

“Não cabe à Anistia Internacional dizer quem deve ser dono do clube. Mas é preciso que todos interessados na movimentação saibam que a aquisição nada mais é que Sportswashing“. – Felix Jenkins, diretor da Anistia na Inglaterra em e-mail para a ESPN.

Contudo, a ONU tratou apenas de relembrar as condenações de MBS. Angès Callamard, uma especialista em direitos humanos da ONU, publicou um relatório de mais de cem páginas incriminando Salman. “Tendo em conta as provas críveis sobre as responsabilidades do príncipe herdeiro no assassinato, estas sanções também deveriam incluir o príncipe herdeiro e seus bens pessoais no exterior”, diz o texto do documento.

Daniel Dutra

Jornalista em formação e apaixonado por esportes. Juntei essas duas paixões para produzir conteúdo e valorizar a comunicação criando um portal para levar informação e gerar oportunidades.
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