Libertadores Unificada. Crédito: REUTERS/Agustin Marcarian
Futebol, Futebol Internacional

Libertadores unificada e a velha discussão entre as Américas

Discutida há anos, a união das Américas é um tema que divide opiniões e argumentos. Uma Libertadores unificada acarretaria em melhorias e dificuldades. Por isso, ao fazermos um balanço, a discussão continua válida.


A grande quantidade de times brasileiros na Libertadores parece ter nivelado tanto o Brasileirão quanto a Libertadores por baixo. Até mesmo quem ficar no meio da tabela, pode conseguir uma classificação para a competição internacional. Por isso, muitos discutem um novo limite de classificados, com menos times. Mas outra discussão “permanente” diz respeito a união das Américas.

Mas antes de tudo, que tal lembrar como a competição começou e como ela está agora?

Os Libertadores da América

Os Libertadores da América.

Líderes nos movimentos de libertação dos países latino-americanos, a maioria dos libertadores eram burgueses descendentes dos próprios europeus que controlavam nossos territórios. A ideia era aumentar o poder das colônias, mas manterem-se no comando sobre elas. Eles usavam o conceito de “liberdade acima de tudo” como lema de seus movimentos. Mas enquanto isso, mantinham os países sobre escravidões e regimes ditatoriais.

Entre os destaques, estavam Simón Bolívar e José de San Martin, com grande influência entre os libertadores. Eles conseguiram unir forças contra o Império Espanhol e expulsá-los do território gerando todo o movimento libertador pela América do Sul.

Criada em 1958, a Libertadores se chamava Copa dos Campeões da América. Seu objetivo desde o início, sempre foi reunir apenas os times da América do Sul. E foi em 1965, que seu nome foi alterado para Copa Libertadores da América, em homenagem aos libertadores da América do Sul.

Décadas depois…

Abel Ferreira (á direita), ao lado de seus auxiliares, comemorando o título do Palmeiras (Crédito da Foto: César Greco/Palmeiras)
Abel Ferreira (á direita), ao lado de seus auxiliares, comemorando o título do Palmeiras (Crédito da Foto: César Greco/Palmeiras)

Ironicamente, as últimas duas libertadores foram conquistas por técnicos portugueses, rivais dos quais o Brasil se libertou e completa o nome da competição. Em 2019, o título ficou com o Flamengo de Jorge Jesus e, em 2020, com o Palmeiras de Abel Ferreira.

Portanto, já não há um “nacionalismo” que impeça a entrada de novos países, sendo o Brasil, o grande exemplo disso. Nos últimos anos, a quantidade de treinadores estrangeiros no país cresceu gradativamente.

Pelos clubes da primeira divisão brasileira de 2020 passaram: Jorge Jesus (Portugal), Jesualdo Ferreira (Portugal), Ricardo Sá Pinto (Portugal), Abel Ferreira (Portugal), Domènec Torrent (Espanha), Rafael Dudamel (Venezuela), Eduardo Coudet (Argentina), Jorge Sampaoli (Argentina) e Ramón Díaz (Argentina). Um recorde na história do Campeonato Brasileiro.

A Unificação da Libertadores e seus argumentos

Distância geográfica:

Distância geográfica entre Brasil e Estados Unidos.

Um dos maiores argumentos contra a união das Américas, é o distanciamento geográfico e sua consequente dificuldade de locomoção. Contudo, a questão puramente geográfica não é um problema. A distância do Brasil para os Estados Unidos é a mesma distância entre Portugal e Rússia. Inclusive, a dificuldade de locomoção entre países da América do Sul costuma ser mais difícil, do que a locomoção entre países das Américas do Sul e do Norte.

Ou seja, o distanciamento geográfico está longe de ser o monstro de sete cabeças que muitos pintam. Até mesmo os deslocamentos internos no Brasil podem ser piores do que um deslocamento para o Canadá. Isso, incluindo as questões de logística.

Diferenças climáticas

Todavia, as diferenças vão além: entre elas, temos as diferenças climáticas. Imagine por exemplo o Flamengo jogando em uma temperatura de 40° no Maracanã no domingo, e na quarta-feira jogando em uma temperatura de -15° nos Estados Unidos.

Sabemos que jogadores não são super-heróis e estão propensos a sofrerem consequências nessa troca climática constante. Entretanto, existe preparo para isso. É só olhar a Europa. A já citada Rússia, é um dos países que mais sofrem com as mudanças climáticas. Por mais que, de fato, a comparação não esteja em pé de igualdade, é possível adequá-la. Entretanto, o grande problema do Brasil continua sendo o calendário do nosso futebol, que influencia diretamente em outras competições.

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Nível técnico

Há quem diga que uma Libertadores unificada acarretaria em uma “queda de nível técnico”. Mas se em 2021 isso ainda continua sendo um discurso, continuamos no caminho errado. Durantes os últimos anos, diversos continentes evoluíram no futebol. Um dos grandes exemplos, diz respeito ao Mundial de Clubes.

O Kashima Antlers do Japão fez mais gols em europeus no Mundial de Clubes do que os sul-americanos nas últimas 12 edições do torneio. No período, eles enfrentaram o Real Madrid em 2016 e 2018, marcando três gols. Inclusive, dois deles na final e estando na frente do placar.

Na edição de 2020, o Palmeiras fez a pior campanha de um time brasileiro na história do mundial, sendo eliminado pelo Tigres do México, e perdendo nos pênaltis para o Al Ahly do Egito. Ou seja, quem reclama do nível técnico dos outros países, desconhece os avanços do futebol, ou prefere manter uma soberba que nos deixa para trás.

E se o nível técnico de uma libertadores unificada fosse um problema?

Se olharmos para todos os continentes americanos, veremos times “amadores”. Todavia, quem disse que na Champions League não têm times “amadores”? Otelul Galati, Maccabi Haifa, Debrecen e Kosice foram alguns dos times com as piores campanhas da competição. Contudo, existem diversos outros times que sequer chegam aonde esse clubes chegaram. Assim como a Libertadores possui a pré-libertadores, a Champions League também possui uma fase preliminar, antes da fase de grupos. E por ali, passam dezenas de times desconhecidos. Portanto, temos um exemplo de como organizar um campeonato para todo o continente.

Divisão por conferências?

Em uma situação hipotética no seu canal do YouTube, Ubira Leal dividiu a Libertadores por conferências. Inspirado na Ásia, que faz isso justamente por ser o maior continente do mundo, o jornalista divide a Libertadores entre as Conferências Norte e Sul. As propostas foram:

  1. Com 32 times, sendo 16 em cada bloco, Ubira dividiu 8 grupos de 4 times. Com isso, a fase de grupos seria regionalizada, e a unificação das “conferências” aconteceriam a partir das oitavas de final.
  2. Ou com 40 times, sendo 20 do norte e 20 do sul, com 8 grupos de 5 times. Mesma proposta para o mata-mata (unificação das conferências).

Atual premiação da Libertadores

No dia 26 de março (2021), a Conmebol divulgou os novos valores de premiação da Libertadores. Apesar da paralisação do futebol por conta do coronavírus, os números são astronômicos. Quem entrar na fase de grupos já receberá uma boa quantia. Veja as etapas:

  • Primeira fase da pré-Libertadores: 350 mil dólares (R$ 1,9 milhão);
  • Segunda fase da pré-Libertadores: 500 mil dólares (R$ 2,8 milhões);
  • Terceira fase da pré-Libertadores: 550 mil dólares (R$ 3 milhões);
  • Fase de grupos: 1 milhão de dólares (R$ 5,6 milhões) por cada;
  • Oitavas de final: 1,05 milhão de dólares (R$ 5,9 milhões);
  • Quartas de final: 1,5 milhão de dólares (R$ 8,4 milhões);
  • Semifinal: 2 milhões de dólares (R$ 11,2 milhões);
  • Vice-campeão: 6 milhões de dólares (R$ 33, 7 milhões);
  • Campeão: 15 milhões de dólares (R$ 84,3 milhões).

Libertadores unificada: grandes eventos e mais dinheiro

A Libertadores Unificada continua sendo uma discussão válida.
A Libertadores Unificada continua sendo uma discussão válida.

Agora imagine a chegada de novos continentes. Os números aumentariam como na Europa e, aos poucos, permitiriam a evolução desses times que muitos chamam de “amadores”. Vale lembrar, que aqui mesmo no Brasil, times como o Retrô e Mirassol conseguiram montar uma estrutura profissional melhor do que times grandes como Botafogo e Vasco apenas com o dinheiro de premiações e venda de jogadores.

Todavia, a entrada de novos continentes também traria renda de outros lugares. Imagine só os Estados Unidos, um dos maiores produtores de eventos do mundo, produzindo uma Libertadores. Grandes transmissões, shows e muita exposição.

Portanto, existem pessoas favoráveis e conservadoras quanto a unificação da Libertadores. Contudo, no momento, as confederações não estão muito interessadas nessa união. No ano de 2018, até ensaiaram essa unificação, mas as coisas esfriaram. Aqui, pude trazer alguns argumentos frequentemente utilizados por diversas pessoas. Mas caso tenha faltado algum, diga aí nos comentários!

Daniel Dutra

Jornalista em formação e apaixonado por esportes. Juntei essas duas paixões para produzir conteúdo e valorizar a comunicação criando um portal para levar informação e gerar oportunidades.
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