Paulo Autuori. Crédito: Thiago Ribeiro/Agif
Futebol, Futebol Nacional

O feudo não calará Paulo Autuori

Daniel Dutra
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Em entrevista para o jornal “O Globo”, Paulo Autuori criticou o caráter autoritário da FERJ. Horas depois, a federação confirmou esse autoritarismo punindo o treinador por 15 dias. Para Autuori, a federação é um feudo e, como disse PVC, os dirigentes se comportaram como se fossem senhores feudais.


Nesse domingo, o Botafogo volta a campo para a disputa da Taça Rio. Contrariado, o treinador Paulo Autuori fez duras críticas a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. “Coloca que vou sob protesto. Não aceito passar por bobo e otário.”

Entre as respostas para o jornalista Thales Machado, o treinador lembrou que a FERJ desrespeitou o parecer técnico dos especialistas da saúde, criticou o jogo político e acabou sendo punido com 15 dias de suspensão. Isso porque, segundo a FERJ, o técnico “ofendeu e denegriu a imagem da Federação”. Sim, a FERJ ainda usou um termo racista.

“FERJ para mim não é a Federação do Estado do Rio de Janeiro, é a federação dos espertos do Rio de Janeiro. O que eu acho é que é uma grande mamata ali. Um feudo. Não vejo absolutamente nada em termos de ideias. Enquanto a federação paulista tem ideias e tenta coisas novas. Enquanto eu estava no Santos, eles convocavam dirigentes, treinadores, preparadores físicos, sabe? Escutavam todos para formular a tabela do campeonato. Aqui na federação carioca eles definem por eles próprios.” – Autuori ao jornal O Globo.

Honda, ainda assustado com a mediocridade dos políticos e órgãos brasileiros, perguntou: “onde está a liberdade de expressão?”.

Lei da mordaça

Em 2015, Flamengo e Fluminense protestaram contra a FERJ. Crédito: Alexandre Cassiano
Em 2015, Flamengo e Fluminense protestaram contra a FERJ. Crédito: Alexandre Cassiano

As críticas quanto ao autoritarismo da FERJ não são novidades. Em 2015, a dupla Fla-Flu fez uma campanha contra a federação. Vanderlei Luxemburgo, então rubro-negro, compareceu à entrevista coletiva com uma mordaça. Entretanto, a questão atual passa por muitos outros aspectos. O primeiro ponto é político. O Campeonato Carioca voltou exclusivamente por politicagem. O segundo ponto, é o desrespeito com as vítimas da COVID-19. Botafogo e Fluminense tentaram de todas as formas não jogar. Mas a federação obrigou os clubes, caso contrário, pagariam multas milionárias.

Desde então, começou uma perseguição. Enquanto Botafogo e Fluminense entravam na justiça, a FERJ marcou jogos deles, mesmo sabendo que eram contrários. Todavia, o prefeito Marcelo Crivella mandou adiar esses jogos. Quando os clubes enfim voltaram a treinar, a FERJ remarcou um jogo do Vasco para hoje, colocando o Botafogo para jogar antes do Vasco, que teria jogado na semana passada. A birra da FERJ foi tão nítida, que ela marcou o jogo do Botafogo às 11h da manhã e ainda tentou levar o jogo para o Maracanã, onde tem um hospital de campanha com pessoas morrendo.

“O que te leva a marcar jogo às 11h da manhã com os times voltando de 90 dias (parados)? Eu quero colocar essa questão. Por que o jogo do Botafogo foi marcado para às 11h da manhã?” – Autuori ao O Globo.

Não precisa ser nenhum profissional para saber que isso é uma tremenda falta de respeito com os atletas. Não há condições biológicas desse jogo ser bom. Muitos dos atletas que treinaram por apenas uma semana, não conseguirão nem entrar em campo.

A importância de Autuori

Paulo Autuori. Crédito: Vitor Silva/Botafogo
Paulo Autuori. Crédito: Vitor Silva/Botafogo

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Portanto, como pudemos ver, a punição da FERJ dá razão a todas as críticas que Paulo Autuori fez. A federação desrespeitou e perseguiu os clubes contrários a volta do futebol e abusou da autoridade. Caso alguns dos dirigentes citados por Autuori tenham se sentido ofendidos, que procurassem a justiça, e não punissem o trabalho do profissional e o clube que ele representa.

Nas últimas matérias, chegamos a citar PC Caju, que reclama da falta de posicionamento da geração atual no futebol. Mais uma vez, o posicionamento está vindo de alguém com a carreira consolidada. Inclusive, Paulo Autuori chegou a se demitir, mas dois dias depois, foi convencido pela diretoria do Botafogo a voltar. Por isso, é importante lembrar que o técnico já é consagrado, ganhou quase tudo que disputou. Dessa forma, não cabe a ele ficar se matando pelo bem do futebol brasileiro. Cada episódio desse, afasta um incrível profissional que temos a oportunidade de acompanhar.

Quanto a federação, a existência dela por si só já é uma punição para o futebol carioca. Paulo Autuori é maior do que qualquer senhor feudal da FERJ. Segue suas convicções de forma transparente e sabe muito bem colocar suas ideias. Por isso, conquistou tudo o que conquistou. Reconhecido no Brasil e na Europa, Autuori não depende da FERJ e nem se calará diante dela.

*O STJD determinou que a FERJ retire a punição de Paulo Autuori.

Daniel Dutra

Jornalista em formação e apaixonado por esportes. Juntei essas duas paixões para produzir conteúdo e valorizar a comunicação criando um portal para levar informação e gerar oportunidades.
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