Marcação mista.
Futebol

As possibilidades de marcação no futebol

Daniel Dutra
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Variações na estratégia de marcação das equipes chamam cada vez mais atenção. Acostumados com a marcação individual, vimos a marcação por zona se tornar preferência. Mas quais são os tipos de marcação no futebol?


Os tipos de marcação, também conhecidos como sistemas defensivos, são na verdade sub-sistemas que fazem parte do sistema de jogo (geral). Eles são divididos em quatro tipos: marcação individual, marcação por zona, marcação mista e marcação híbrida.

Na história do futebol, prevaleceu por muito tempo, a marcação individual. Inclusive, podemos usar o Brasil como exemplo. Até hoje, principalmente em peladas amadoras, é automático as pessoas escolherem alguém específico para marcar. Entretanto, o futebol profissional brasileiro é um dos únicos que ainda usam essa estratégia em grande quantidade.

Isso se deve pela mudança da intensidade do jogo e os aperfeiçoamentos táticos. Hoje em dia, o padrão europeu é basicamente a marcação por zona. Todavia, esses dois tipos de marcação, podem sofrer algumas mudanças, se unindo. Com isso, surgem outros dois tipos de marcação: a marcação mista e a marcação híbrida.

Mas antes de tudo, é importante lembrar da marcação ativa e da marcação passiva, que buscam recuperar a posse da bola ou forçar o erro do adversário respectivamente. Contudo, isso são estratégias pré-definidas no tipo de marcação, não sendo uma alternativa a eles, e sim uma preferência do treinador dentro de cada tipo de marcação. Para cada um desses modelos é possível que se defina diversas estratégias que podem alterar completamente as dinâmicas do jogo. Para entender cada conceito, vamos apresentar em ordem crescente.

Tipos de marcação

Marcação individual

Quem foi o culpado? Crédito: Jamie McDonald/Getty Images

A marcação individual é a busca constante pelo adversário que algum jogador deve marcar. É exatamente como disse anteriormente sobre as peladas amadoras. O jogador “A” deve marcar o jogador “B” em todos os seus deslocamentos ofensivos. O famoso “homem a homem”. Mas também pode ser por posição ou setor, como: “lateral pega lateral”, “volante pega meia” etc.).

O problema de se fazer a marcação individual, é que a equipe pode acabar sendo manipulada pelo adversário, fazendo com que as peças defensivas se desloquem de forma que abra espaços para infiltrações ou até mesmo finalizações.

Mas antes de passar para outro tipo de marcação, precisamos entender que esse tipo de marcação individual já não agrega muita coisa, pois não basta você escolher marcar o pior ou melhor jogador do adversário independente do espaço do campo de jogo. Por isso, existem algumas variações, como a marcação individual por setor.

Marcação individual por setor.

Na imagem acima, é usado o número 6 e o número 8 da equipe preta e branca como exemplos. Cada um com seu setor definido. É nesse espaço determinado, que o jogador marca o adversário que invade esse espaço, como na próxima imagem.

Movimentos na maração individual por setor.

Nesse exemplo, o número 7 da equipe adversária invade o setor do número 6, mas acaba cortando em direção ao meio. Dessa forma, ele sai do espaço do número 6, e entra no espaço do número 8. Com isso, o número 6 deixa de acompanhar o jogador e protege seu setor de outros invasores.

Contudo, ainda que tenha entrado no espaço do número 8, o adversário está à frente dele, mais próximo do número 4. Por isso, é o número 4 que fará a marcação no adversário. Dependendo da circunstância, isso continua sendo perigoso, pois o zagueiro pode abrir um espaço nas suas costas para a infiltração de outro adversário ou do próprio portador da bola ao sofrer um drible.

Em outras matérias, falaremos ainda de outras opções, como a marcação por encaixes curtos.

Marcação por zona

Marcação em linha. Crédito: Mowa Press
Crédito: Mowa Press

Por isso, a marcação por zona se mostra mais eficaz. Sua organização é feita em linhas e seus movimentos são feitos a partir dos movimentos de seus próprios companheiros, ao contrário da marcação individual, onde seu movimento depende do adversário.

Contudo, é preciso uma boa obediência tática para que as linhas da equipe se comportem de maneira eficaz. A marcação em zona busca otimizar a ocupação dos espaços, impondo um controle de posição e região, tentando obter vantagem numérica em todos os setores do campo de jogo.

Marcação por Zona.

Mas para isso, como podemos observar na imagem a seguir, é preciso treinar situações de jogo como a flutuação. Quando o marcador vai atrás do adversário ou quando uma bola é invertida, por exemplo, as linhas da equipe precisam flutuar juntas para o lado que se deve marcar. Sempre mantendo a obediência tática.

Flutuação da zona.

Ao contrário da marcação individual, o defensor não ataca o adversário abrindo espaços, pois toda a linha desse mesmo defensor, flutua na direção dele, impedindo buracos na defesa. A flutuação é definida como a orientação em larga escala, para a equipe movimentar-se quando a bola, estando com o adversário, for passada de um lado para o outro.

Dessa forma, é possível fechar mais a linha e impedir infiltrações e finalizações. Portanto, mesmo que um defensor se desloque para frente, abandonando a linha de marcação, seus companheiros irão cobrir sua falta, como mostra a imagem a seguir.

Obediência tática.

Marcação mista

Marcação mista.

Como o nome propõe, a marcação mista utiliza a marcação individual e a marcação em zona. Entretanto, em situações diferentes e específicas do jogo, alternando-as de acordo com cada situação. Como mostra a imagem acima, no momento do escanteio, a equipe do Corinthians marca das duas formas. Contudo, durante o jogo, o comportamento da equipe, acontece apenas de forma zonal.

Para isso, o time precisa estar com todos os movimentos afiados para não se confundir ou se prejudicar. Com o pouco tempo de treino das equipes, é muito difícil fazer isso, pois o tempo de assimilação se torna um empecilho. Como Jair Ventura falou para a PressFut (clique aqui para ler a entrevista), na maioria das vezes, o treino é feito em salas de vídeo, pois não há tempo de se treinar muito e ao mesmo tempo respeitar o regenerativo do elenco. Logo, assimilar duas estratégias diferentes e colocá-las em prática, é muito difícil de acontecer, principalmente no Brasil e em países com o calendário mais apertado.

Marcação híbrida

Marcação Híbrida.

Tipos de marcação: híbrida.

A marcação híbrida também possui características da marcação individual e em zona ao mesmo tempo. Porém, ela utiliza esses tipos de marcação em estratégias bem definidas para a recuperação da posse da bola. O que pode acontecer, é o que mostra a imagem acima. A Holanda de Van Gaal marcava por zona, mas utilizava o De Jong para fazer uma marcação individual no Messi. Algo bem comum de se fazer com craques.

Portanto, cada tipo de marcação possui suas vantagens e desvantagens. O grau de complexidade das marcações sobem de nível da mesma forma crescente em que apresentamos cada uma delas. E essas complexidades, envolvem todas as variáveis de cada tipo de marcação adotada. Ou seja, imagine a dificuldade de adotar os últimos dois tipos, que unem os dois primeiros.

No Brasil, isso se torna ainda mais difícil. É preciso treinar isso já nas categorias de base. Nossos atletas são pouco estimulados a compreender as variações de cada tipo de sub-sistema de marcação. O exemplo no início do texto, aparece novamente. No futebol amador, a única forma de marcação que pensamos, é a individual. Por isso, é necessário estimular ainda nas categorias de base, uma maior compreensão de mudanças em um modelo de jogo.

Daniel Dutra

Jornalista em formação e apaixonado por esportes. Juntei essas duas paixões para produzir conteúdo e valorizar a comunicação criando um portal para levar informação e gerar oportunidades.
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