A Copa do Mundo é prolífica em hits. Depois das chuteiras rosa, talvez o tema que mais tenha gerado polêmica foram as camisas da Puma que rasgam durante os jogos.
Aconteceu não uma, nem duas, mas cinco vezes durante a competição (e contando, porque Marrocos e Suíça, cuja marca é fornecedora, seguem no torneio).
A internet rapidamente caiu de pau. Teve até publicação de empresa de marketing dizendo: “Se rasga uma vez, é azar. Duas, pode ser acaso. Mas cinco, é problema do produto.”
Mas eu acho que existe uma confusão aqui. Essa camisa não é um produto de varejo. O usuário final dela é o atleta.
Para além da performance do atleta, eu enxergo a Puma tentando fazer algo que nenhuma outra fornecedora tentou: influenciar o jogo ativamente dentro de campo.
Foco em performance e influência direta no jogo
O buzz em torno das camisas da Puma não é algo novo. Na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, a Puma produziu verdadeiros collants, que aderiam aos corpos dos jogadores com o suor e tornavam-nos difíceis de serem segurados.

Exemplos como esse, mostram que ” a camisa que rasga” não é uma falha de projeto, é uma escolha deliberada. Procurada pra comentar o caso, a marca declarou:
A camisa de jogo da PUMA foi desenvolvida para ser significativamente mais leve do que uniformes semelhantes em campo, proporcionando aos jogadores de elite agilidade e conforto otimizados no clima quente do verão. […] Como o futebol é um esporte de alto contato, as peças de roupa podem ser afetadas quando as camisas são submetidas a forças severas ou estresse físico extremo.”
Esse finalzinho corrobora minha teoria sobre uma segunda intenção da Puma. Explico.
- No futebol, puxar camisa é falta. E, ainda que se discuta a intensidade do contato permitido pela regra, uma camisa rasgada é uma evidência difícil de ignorar.
Agora, imagine a seguinte situação:
El Aynaoui, o atleta da capa, que joga hoje por Marrocos, é puxado e tem sua camisa rasgada, mas o árbitro não vê. Ele vai até o apitador e cobra punição ao adversário. Em não sendo um lance passível de intervenção do VAR, o atleta será conduzido à beira de campo pra trocar a peça. Neste momento, a informação visual do jogador esfarrapado já acende uma luz amarela na cabeça do juíz: “talvez eu esteja tolerando contato demais”.
Agora, se o lance ocorrer dentro da área, são boas as chances da jogada ser revisada. A simples possibilidade disso originar um pênalti pro time dos rasgados é um baita golaço.
No Brasil, nos acostumamos a ver pressão coercitiva sobre a arbitragem. No maior palco do futebol mundial, a Puma informa o acontecimento e convida o árbitro a agir.
Não acho que a camisa é uma falha de projeto. Acho que é evidência visual para sugestionar decisões e gerar vantagem esportiva. E você?
Vamos ficar atentos aos jogos de Marrocos e Suíça. Talvez essa história ainda dê pano pra manga.






