Brasil e Haiti juntos, antes do amistoso. Foto: Reprodução/CBF/Nilton Santos
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Haiti e Brasil: o “Jogo da Paz” Relação diplomática entre Brasil e Haiti é marcada pela paixão das duas nações pelo futebol

A partida da segunda rodada da Copa do Mundo de 2026 entre Brasil e Haiti resgata a relação diplomática e geopolítica entre as duas nações, simbolizada pelo emblemático “Jogo da Paz”, realizado há mais de duas décadas no país caribenho.

Em 18 de agosto de 2004, a Seleção Brasileira desembarcava em Porto Príncipe para um amistoso que entrou para a história do esporte e das relações internacionais, em meio a um cenário de crise humanitária e política no país caribenho.

Na época, o Haiti convivia com a intervenção da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti), comandada militarmente pelo Exército Brasileiro, sob a liderança do general Augusto Heleno.

A ideia do amistoso surgiu após um protesto do então primeiro-ministro haitiano, Gerard Latortue, que afirmou que o Brasil deveria enviar o seu futebol, e não apenas soldados. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou a equipe, então pentacampeã mundial, para a partida.

Para a Confederação Brasileira de Futebol, o evento foi uma oportunidade estratégica de estreitar laços com o governo federal e com a FIFA, visando fortalecer a candidatura do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014.

O Jogo da Paz

Ronaldinho Gaúcho contra o Haiti. Foto: Fernando Maia
Ronaldinho Gaúcho contra o Haiti. Foto: Fernando Maia

A delegação brasileira aterrissou na capital haitiana apenas duas horas antes do apito inicial. O trajeto de cinco quilômetros entre o aeroporto e o estádio foi realizado a bordo de tanques blindados do Exército, cercados por uma multidão de torcedores locais apaixonados pelo futebol brasileiro.

Comandada por Carlos Alberto Parreira, a Seleção levou Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Adriano Imperador, além de outros jogadores. Contudo, o time teve desfalques importantes de atletas que não foram liberados por seus clubes europeus: Cafu (capitão), Kaká e Dida pelo Milan e Lúcio e Zé Roberto pelo Bayern de Munique.

Com o objetivo de promover o desarmamento em um país fragilizado pela guerra civil, a organização do evento trocou ingressos por armas de fogo. O Estádio Sylvio Cator atingiu sua capacidade máxima, recebendo 13 mil espectadores — incluindo o presidente Lula —, enquanto milhares de pessoas que não puderam entrar, acompanhavam do lado de fora.

Em campo, o primeiro-ministro haitiano chegou a oferecer uma recompensa de US$ 1.000 para qualquer jogador local que marcasse contra o Brasil. O incentivo não funcionou: a equipe do zagueiro Jean Jacques Pierre (então destaque do Peñarol) sofreu uma goleada de 6 a 0, sendo 3 de Ronaldinho Gaúcho, 2 de Roger Flores e 1 de Nilmar.

Sob a arbitragem do brasileiro Paulo César de Oliveira, o apito final encerrou o jogo. Apesar do cenário de miséria e conflito, o “Jogo da Paz” cumpriu o papel diplomático de aliviar temporariamente a tensão vivida pela população caribenha.

Último Brasil e Haiti

O último jogo entre Brasil e Haiti aconteceu há 10 anos, pela fase de grupos da Copa América de 2016. Na ocasião, a seleção brasileira ainda traumatizada pelo 7 a 1 sofrido contra a Alemanha na Copa do Mundo de 2014, repetiu o placar. Mas dessa vez, a favor: 7 a 1 para o Brasil, com gols de Philippe Coutinho (3x), Renato Augusto (2x), Gabigol e Lucas Lima. Desde então, as equipes não voltaram a se enfrentar.

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