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A crise do Internacional não é fruto de um acaso esportivo, mas de uma construção equivocada ao longo dos últimos anos. O clube que já esteve no topo da América, hoje vive uma realidade onde o objetivo deixou de ser vencer para, muitas vezes, apenas sobreviver.
O problema do Inter não começa no campo. Ele nasce fora dele na forma como o clube é pensado, gerido e conduzido.
Uma década perdida em decisões curtas
Uma década perdida em decisões curtas
Desde o retorno da Série B, em 2018, o Internacional nunca conseguiu sustentar um projeto esportivo consistente. A trajetória recente é marcada por picos ilusórios, sempre acompanhadas de mudanças constantes no comando técnico.
A sequência de treinadores explica muito do cenário atual: Odair Hellmann (2017–2019), Zé Ricardo (2019), Eduardo Coudet (2020), Abel Braga (2020-2021), Miguel Ángel Ramírez (2021), Diego Aguirre (2021), Alexander Medina (2022), Mano Menezes (2022–2023), novamente Eduardo Coudet (2023–2024), Roger Machado (2024–2025), Ramón Díaz (2025) e, por fim, Paulo Pezzolano (2026).
Não há identidade que sobreviva a esse nível de instabilidade. Cada troca representa uma ruptura de ideias, de elenco, de planejamento. O resultado é um time que nunca se consolida e um clube que vive recomeçando.
Resultados que contam a história
Os números dentro de campo são o reflexo direto desse descontrole.
No ano de 2018, logo após voltar da Série B, o Inter terminou em 3º, reacendendo a esperança. Em 2019, foi 7º no Brasileirão, mas carregou a frustração da derrota na final da Copa do Brasil. Em 2020, chegou ainda mais perto: vice-campeão brasileiro, deixando o título escapar, literalmente aos 45 do segundo tempo.
Mas a partir daí, o declínio se torna evidente.
2021, o time caiu para 12º lugar, sendo eliminado precocemente pelo Vitória na Copa do Brasil e pelo Olimpia na Libertadores. Em 2022, apesar de um novo vice no Brasileirão, o clube acumulou vexames como a eliminação para o Globo na primeira fase da Copa do Brasil e a queda para o Melgar na Sul-Americana.
Já no ano de 2023, terminou em 9º, com a campanha na Libertadores encerrada na semifinal contra o Fluminense, mascarando problemas mais profundos. Em 2024, ficou em 5º, mas voltou a falhar em mata-matas, sendo eliminado pelo Juventude na Copa do Brasil.
E então veio 2025: 16º lugar no Brasileirão, flertando com o rebaixamento. O fundo do poço deixou de ser uma ameaça e passou a ser uma realidade.
Do “Celeiro de Ases” ao desmonte precoce
Se dentro de campo o Inter perdeu consistência, fora dele perdeu sua principal virtude: saber gerir talento. O clube que revelou nomes como Alisson Becker, Alexandre Pato, Nilmar, Fred e Rafael Sobis construiu sua identidade formando jogadores que primeiro entregavam performance, depois retorno financeiro.
Hoje, essa lógica foi invertida. O Internacional vende antes de colher. Negocia promessas para fechar contas, não para ciclos vencedores. O talento até continua surgindo, mas não permanece tempo suficiente para gerar impacto esportivo, aprofundando ainda mais a crise do Internacional.
Gestão reativa, futebol sem rumo
O ponto mais crítico está na incapacidade de transformar receita em desempenho. O Inter não apenas vende mal seu tempo esportivo, ele também gasta mal o dinheiro que arrecada. Sem um modelo claro de jogo, o clube monta elencos por oportunidade, não por convicção.
Cada treinador pede peças diferentes. Cada troca gera novos custos. E o elenco se torna um monte de ideias desconectadas. Esse ciclo de vender para cobrir erros e errar novamente ao investir, cria uma bola de neve que mantém o clube preso sem conseguir sair.
Entre dívidas e pressão: o limite chegou.
Entre dívidas e pressão: o limite chegou
A chegada de regras mais rígidas de controle financeiro no futebol brasileiro transforma a má gestão em risco esportivo real. O que antes era apenas um problema administrativo agora pode custar pontos, punições e até a divisão. O clube está no limite. E, diferente de outros momentos, não há margem para errar mais.
O retrato final
O Internacional vive hoje uma crise que vai além do futebol. É uma crise de modelo, de mentalidade e de identidade. Um clube que já foi referência em formação, competitivo em campo e respeitado institucionalmente, agora tenta se reencontrar em meio a decisões curtas, trocas constantes e urgências financeiras. O risco não é apenas continuar sem títulos. É se tornar irrelevante no cenário do futebol brasileiro.






