Últimos posts por Daniel Dutra (exibir todos)
- “Los Pibes”: torcedor do Peñarol condenado por vandalismo no Rio tentou se fazer de vítima em depoimento Bruno Nicolas Nanches Moreira e Sérgio Gabriel Silveira Balbuena foram condenados à prisão - 15 de julho de 2026
- Golpe: Polícia recupera acervo esportivo raro de R$ 450 mil em shopping no Rio de Janeiro Entre as peças, estavam camisas da Seleção Brasileira, uma camisa comemorativa dos 1000 gols de Pelé, além de bolas assinadas por estrelas da NBA - 11 de julho de 2026
- Jogadores voltam a ser alvos da Polícia Civil por manipulação no Campeonato Carioca de 2026 Jogadores são investigados por cartões amarelos em partida entre Portuguesa-RJ e Nova Iguaçu - 6 de julho de 2026







Jogadores cada vez mais monitorados mostram que a análise de desempenho vem se tornando uma obrigação no futebol. Ainda assim, os clubes brasileiros demoraram para implementar essa técnica, o que faz com que estejamos extremamente atrasados diante dos clubes europeus.
Estudos realizados em 1986 por Franks & Miller revelaram que os treinadores, ao comentarem sobre os acontecimentos de 45 minutos de uma partida de futebol acertaram menos que 45% do que de fato aconteceu. Em outro estudo – Franks (1993) – foi atestado que a memória humana limita nossas lembranças de tudo o que acontece durante uma partida de futebol. O que torna impossível lembrar de tudo o que acontece durante um campeonato por exemplo. Mesmo a observação sendo necessária, ela se mostra limitada por questões biológicas. Por isso, a tecnologia se mostra extremamente necessária na análise de jogos.
Enquanto nossa mente não grava 45 minutos de um jogo, um simples treinamento filmado e explorado com softwares desenvolvidos para uma equipe pode gerar mais de um milhão de informações.
Esse texto toca numa discussão muito importante e compara aspectos que mostram um dos motivos pelo qual o Brasil ficou para trás na última década em relação aos clubes europeus.
Engana-se quem pensa que a análise do jogo é algo fácil de se realizar. Um estudo profundo é muitas vezes desafiador, logo, não adianta tentar analisar dados sem embasamento. É preciso sempre buscar entender o jogo e tudo a sua volta, além é claro, de buscar ferramentas que ajudem nas análises. O material tem que ser fiel e exato, sem deixar-se levar pela emoção de torcedor ou espectador.
O Analista de Desempenho
Apesar de muitas vezes serem vistos como pessoas que apenas usam a tecnologia, o profissional da análise entende muito bem o processo de treino e o jogo, pois não adianta analisar dados sem entender as atividades e o contexto. Conhecer esses aspectos é um pré-requisito para atuar nesta função. Por isso, graduações como Educação Física, Ciências do Esporte e cursos específicos na área são fundamentais para uma boa carreira. E claro, é preciso sempre se atualizar, pois o mundo é dinâmico e cada temporada é um novo desafio, com novas tecnologias e novos detalhes.
Dentro da análise de desempenho, existem duas formas de extrair dados de uma equipe e de seus atletas. Não necessariamente precisa ser uma ou outra, aliás, as duas podem muito bem se complementar.
Análise de Desempenho Qualitativa
A analise qualitativa é basicamente a observação do jogo. Para dar mais precisão, ela costuma acontecer por meio de vídeos, inclusive, alguns gravados apenas com a finalidade de analisar. A partir daí, é possível ter noção da dinâmica do jogo e o comportamento dos times. Com isso, pode-se analisar os acontecimentos passo- a-passo, também por frames.
Análise de Desempenho Quantitativa
Mais conhecida como scout, a análise quantitativa reúne números, transformando os acontecimentos do jogo em estatísticas. Tanto dos jogadores, quanto da equipe.
Quantidade média de profissionais da Análise Tática de Desempenho:
Barcelona: 21 profissionais
Bayern de Munique: 18 profissionais
Spartak Moskou: 14 profissionais
Clubes Brasileiros: 2 profissionais
Esses números revelam uma triste informação. Os clubes europeus, dos mais desenvolvidos aos medianos estão repletos de profissionais analisando suas equipes e as equipes adversárias, já o futebol brasileiro sequer chega perto. Para se ter uma ideia, boa parte dos clubes só inseriram departamentos de análise de desempenho na última década, são poucos como o Grêmio e o Corinthians que já tinham alguma estrutura montada. Vale parabenizar inclusive o Corinthians, que mesmo tendo uma estrutura criada com Vanderlei Luxemburgo, recebeu uma atualização com Tite, o que rendeu diversos títulos, de nacional a mundial.
Gerando esperança, os times com maior suporte financeiro começam a ter mais profissionais nessa área. O Palmeiras atualmente tem entre 10 e 12 analistas. Outro que vem colhendo frutos com a profissionalização é o Flamengo, que mesmo tendo um estilo de jogo intenso em um país com o calendário apertado, consegue manter a equipe em forma e ganhando os principais títulos. Ainda assim, enquanto o Liverpool tem 1 analista por jogador, os outros clubes brasileiros destoam dessa prática.
Em anos de Copa do Mundo, muitos profissionais aproveitam para estudar e aprender com as mais variadas seleções. Um leque de batalhas táticas que geram dados extremamente prazerosos para os analistas, técnicos e amantes do futebol.
Nas seleções, a análise de desempenho é muito presente. Tite por exemplo, ao sair do Corinthians, levou com ele toda sua equipe, inclusive o filho Matheus Bachi, que começou fazendo relatórios e hoje é um dos auxiliares técnicos da seleção brasileira.
Não é questão de copiar o futebol europeu, a questão é se profissionalizar diante da evolução da tecnologia e do próprio futebol.
Um dos motivos da nossa fraca atuação em análise de futebol está atrelado a nossa demora em inseri-la no Brasil. As atitudes de implementar não costumam surgir das diretorias, e sim de profissionais das comissões técnicas, como Eduardo Barroca, que de 2011 a 2013 foi auxiliar técnico no Bahia e criou um Departamento de Análise de Desempenho no clube.
Visto isso, percebe-se o atraso não só no tempo, mas na mentalidade dos dirigentes que comandam as equipes brasileiras. Pelo menos, estamos começando a subir no ranking, ainda assim, é preciso fazer disso uma obrigação, e não um diferencial.