- “Los Pibes”: torcedor do Peñarol condenado por vandalismo no Rio tentou se fazer de vítima em depoimento Bruno Nicolas Nanches Moreira e Sérgio Gabriel Silveira Balbuena foram condenados à prisão - 15 de julho de 2026
- Golpe: Polícia recupera acervo esportivo raro de R$ 450 mil em shopping no Rio de Janeiro Entre as peças, estavam camisas da Seleção Brasileira, uma camisa comemorativa dos 1000 gols de Pelé, além de bolas assinadas por estrelas da NBA - 11 de julho de 2026
- Jogadores voltam a ser alvos da Polícia Civil por manipulação no Campeonato Carioca de 2026 Jogadores são investigados por cartões amarelos em partida entre Portuguesa-RJ e Nova Iguaçu - 6 de julho de 2026
O Botafogo começou o jogo com 4 atacantes e conseguiu vencer o líder do campeonato com grandes variações táticas durante a partida. Paulo Autuori fez bem o que Domènec Torrent já tinha tentado.
Quando Domènec Torrent abriu mão do seu meio campo durante sua estréia pelo Flamengo, para colocar 4 atacantes contra o Atlético Mineiro, foi no mínimo curioso. Ao decorrer da partida, ele chegou a colocar 5 atacantes. Como justificativa, ele disse que o Flamengo precisa jogar para frente, buscando sempre a vitória. Entretanto, houve uma certa incoerência quando ele disse que faltava compactação na linha do meio campo, e acabou deixando apenas um jogador no setor. Observando um pouco mais friamente, o espanhol errou nas substituições e foi muito afobado, tentando mudar o resultado de forma apressada. Contudo, ele observou bem uma tendência contra o Atlético Mineiro.
Três rodadas depois, chegou a vez de Paulo Autuori usar de um artifício parecido, mas melhor elaborado. Sem muitas expectativas de vitória, a torcida do Botafogo ficou assustada quando viu que iria jogar com time misto contra o líder do campeonato. Para “piorar”, a escalação do Botafogo foi divulgada com 4 atacantes. Sem nenhum meio campo titular, Paulo Autuori mudou completamente a estratégia da equipe exclusivamente para o jogo contra o galo. Na ocasião, o treinador preferiu um jogo reativo, daqueles de deixar o coração do torcedor na boca, assim como fazia o Botafogo de Jair Ventura em 2017.
Na coletiva pós-jogo, Autuori lembrou que trabalhou com Sampaoli e sabia de alguns detalhes a serem explorados. Consequentemente, deu muito certo. Por mais que o Atlético-MG tenha criado muito mais chances, teve a mesma efetividade do Botafogo no ataque, e muito menos efetividade na defesa. A equipe carioca foi muito aplicada taticamente, entendeu rapidamente a variação tática de Autuori durante o jogo, e foi impecável na marcação. Fazendo apenas uma ressalva para Barrandeguy, lateral-direito do Botafogo, que sofreu muito contra o Keno, que fez o que quis contra o uruguaio.
Por que 4 atacantes contra o galo?

Entrando no assunto que nos trouxe até aqui, o Botafogo, diferente do Flamengo, já começou o jogo com 4 atacantes. Luiz Fernando, Pedro Raúl, Matheus Babi e Luis Henrique formaram o quarteto de ataque. Muita velocidade pelas pontas, e centroavantes mais participativos segurando o jogo pelo meio. Mas isso não tem a ver com o Botafogo em si, e sim com o adversário. Como o Atlético-MG propõe o jogo com os zagueiros mais avançados, foi da escolha de Paulo Autuori, segurar a dupla de zaga, colocando dois centroavantes no meio deles. Dessa forma, os laterais – principalmente o Guga – tiveram que buscar o jogo o tempo todo. Com isso, a saída de bola do galo demorava mais, e não era tão efetiva, pois os laterais cansavam bastante. Ou seja, Guga virou um terceiro zagueiro e o Atlético atacou com 7 jogadores. Diferente do que pretendia Sampaoli.
Como o Botafogo atuou em um sistema reativo nessa partida, esses dois centroavantes foram muito importantes na marcação. Isso porque, além deles incomodarem os zagueiros e também os volantes do Atlético, eles foram muito participativos fechando a primeira linha de marcação. O Botafogo de Paulo Autuori usa muito desse princípio no momento defensivo. Tanto Pedro Raúl, como Matheus Babi, são participativos sem a bola. Dentro daquilo que o futebol moderno pede, esses jovens achados do Botafogo, fazem muito bem. Além de técnicos e oportunistas, são aplicados taticamente. Justamente por isso, quando recebem a bola no meio, conseguem rapidamente acionar os atacantes de lado nas costas da defesa do galo, como foi no primeiro gol do Botafogo. Pedro e Babi prenderam o meio, e acionaram a joia Luis Henrique, que driblou e tocou para o outro ponta, Luiz Fernando, marcar.
É importante ressaltar, que a linha de 4 atacantes só se forma no momento ofensivo. Quando o Botafogo defende, os atacantes de lado recompõem na marcação, ajudando a segunda linha. Basicamente, o time atacou em um 4-2-4 ou 4-2-2-2, e se defendeu em um 4-4-2 clássico.
Parte defensiva e mudanças na formação
Todavia, o jogo com 4 atacantes não se resume exclusivamente neles. Para isso, Autuori corrigiu erros de jogos passados, mesmo com o meio de campo reserva. Luiz Otávio, que jogou no lugar de Honda, fez bem a cobertura de Barrandeguy, que como citado anteriormente, sofreu contra o Keno. Dessa forma, foi mais fácil da defesa do Botafogo segurar a grande sequência de ataques do galo. Por mais que o time mineiro atacava, ele não era tão efetivo quanto o Botafogo. Faltava melhores tomadas de decisão, e melhores finalizações.
Quando o Botafogo saia contra a defesa atleticana, era muito mais mortal. Pedro Raúl teve a chance de fazer 2 a 0 ainda no primeiro tempo, mas perdeu de frente para o gol e acabou sendo substituído no intervalo. Para o segundo tempo, Autuori mudou a formação e acabou ficando com apenas 3 atacantes, formando um 4-3-3. Reforçando a segunda linha, o meio campo do Botafogo ficou mais poderoso, já que no momento defensivo, atuava com 5 jogadores. Autuori que já tinha escalado o lateral Guilherme Santos como volante no primeiro tempo, colocou o zagueiro Rafael Forster também de volante no segundo tempo. A entrada de Forster e Caio Alexandre melhorou a saída de bola, explorando novamente as costas da defesa atleticana já cansada. Com isso, Guga saiu exausto do jogo, e o Botafogo, depois de ter um gol anulado, foi atrás de mais um.
Continuou dando certo. Contudo, foi preciso tirar Luis Henrique, já cansado de ligar contra-ataques. Em seu lugar, entrou Bruno Nazário, fazendo o Botafogo voltar para o 4-4-2, deixando Luiz Fernando e Babi no ataque. Entretanto, durou pouco, pois Luiz Fernando, também cansado de puxar contra-ataques, saiu para a entrada do jovem Rhuan, mudando mais uma vez para o 4-3-3. O que, na verdade, formou um 4-2-1-2-1. Caio Alexandre e Nazário ficaram mais livres e foram para o ataque. Quando Nazário tabelou com Babi, o atacante achou Caio Alexandre livre na área para marcar o gol da vitória. O Botafogo fez 3 gols explorando bem o ataque.
O que deu certo com o Autuori, que não deu certo com Torrent?

Matérias Relacionadas:
É muito importante destacar, que não é nada fácil fazer essa quantidade de mudanças táticas no meio do jogo. Demanda treino e tempo. Torrent tentou fazer em sua estreia, com apenas cinco dias de treino. Além disso, como citado no início do texto, ele errou nas mudanças, diferente de Autuori. Como o Botafogo jogou com um time misto, Autuori pôde colocar alguns titulares no segundo tempo, botando fogo no jogo. Diferente de Torrent, ele ocupou bem a linha de meio campo, justamente o que o treinador rubro-negro reclamou no primeiro jogo, mas ele mesmo fez errado. Por mais que Autuori tenha colocado 4 atacantes, ele não desprotegeu as outras linhas, pelo contrário, ele reforçou. Ao invés disso, Torrent distanciou ainda mais suas linhas.
Certamente, o processo de treino foi diferente e mais eficaz para Paulo Autuori. Mas não podemos de forma alguma, deixar de elogiar o elenco do Botafogo, que entendeu muito rápido cada mudança do treinador durante o jogo. Inclusive, o Atlético-MG de Sampaoli é a maior referência do Brasil nesse sentido. É uma equipe que entende bem as mudanças e coloca em prática rapidamente. Todavia, dessa vez Sampaoli viu o Botafogo fazer isso de forma melhor ainda, saindo com a vitória e tirando a liderança do Atlético.
Portanto, usar 4 atacantes contra o Atlético Mineiro não é nenhuma obrigação e nem tão necessário, mas de fato ajudou durante algum tempo. É possível que isso nem se repita mais, mas é preciso destacar o que fez Paulo Autuori, e o que tentou fazer Domènec Torrent. Um venceu, o outro perdeu, mas ambos ousaram. Jogaram de forma bem diferentes, mas mostraram que não é nenhum absurdo ousar. Existe time reativo com 4 atacantes e existe time propositivo com 4 atacantes. Tudo depende do material que o clube tem, e de treino, muito treino.






