Muita gente não sabe, mas a precursora do futebol feminino carioca, Carlota Rezende, chegou a ser presa por organizar e abrigar atletas amadoras de futebol durante o Estado Novo, entre 1937 e 1945. A história da “Mãe do Futebol Feminino no Brasil” está sendo contada no Festival do Rio 2026, que exibe o curta-metragem A Casa de Dona Carlota. O filme conta a história real de Dona Carlota à frente de um dos primeiros times de futebol feminino carioca.
O enredo mostra que Carlota abrigava, em sua própria casa, em Pilares, no subúrbio carioca, a sede do Primavera. Além de receber a equipe, ela era dirigente e treinadora do time.
O local não era apenas a sede do clube, mas também um refúgio para as mulheres que queriam praticar o esporte. Na casa de Dona Carlota, elas treinavam, jogavam futebol, conviviam, festejavam e ganhavam salários, vivendo experiências que, muitas vezes, eram pouco permitidas às mulheres daquela época. E isso não agradava a grande parte da sociedade.
A história da Mãe do Futebol Feminino no Brasil

O futebol feminino crescia e começava a reivindicar a profissionalização, fato que desagradou ainda mais às autoridades e aos moralistas. Sob a pressão do Estado Novo e da imprensa conservadora, Carlota foi presa, em 1941, pela Delegacia de Costumes. As autoridades alegavam que o local abrigava ilegalidades e imoralidades. Com isso, a sede do Primavera foi fechada.
Três meses depois, o governo de Getúlio Vargas publicou um decreto-lei que proibiu às mulheres a prática de esportes considerados “incompatíveis com as condições de sua natureza”, deixando um marco de 40 anos de proibição do futebol feminino, que só foi regulamentado em 1982.
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O filme
Escrito e dirigido por Lili Fialho e Bruna Linzmeyer, o filme foi produzido por Mayra Faour Auad e Gabrielle Auad. O curta-metragem é baseado na pesquisa histórica de Aira Bonfim e resgata uma história de sucesso brutalmente interrompida.
“Este não é apenas um filme sobre o passado. É um manifesto sobre a resistência das mulheres no esporte, a luta contra a censura e o direito à memória. Contar essa história hoje é um ato de justiça histórica e um passo essencial para que futuras gerações conheçam e celebrem as ancestrais do futebol feminino brasileiro”, afirma Mayra Faour Auad, produtora e fundadora da MyMama Entertainment.
O filme ganha ainda mais relevância às vésperas de 2027, quando o Brasil receberá pela primeira vez a Copa do Mundo Feminina da FIFA, mais de oito décadas depois de mulheres como Carlota terem lutado para transformar o futebol em profissão.
E aí, ficou curioso? Corre para garantir seu ingresso no Festival do Rio! E, para quem não conseguir assistir ao filme no cinema, a produtora informou que vai disponibilizar o curta-metragem em streaming a partir de 2027.






