Foi no Camp Nou, cenário de alguns dos momentos mais importantes de sua carreira, que Pedro Rodríguez escolheu anunciar sua despedida do futebol. Aos 39 anos, o atacante espanhol confirmou, na quarta-feira (07), sua aposentadoria, encerrando uma trajetória marcada por títulos, gols decisivos e pela participação em uma das gerações mais vitoriosas da história do Barcelona.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Pedro relembrou sua caminhada desde as categorias de base do clube catalão até os últimos anos na Lazio, da Itália. A despedida aconteceu pouco mais de três meses depois do encerramento de seu contrato com a equipe italiana, seu último clube como profissional.
Natural de Tenerife, nas Ilhas Canárias, Pedro chegou ao Barcelona em 2004, aos 17 anos. Passou pelas categorias de formação e pelo Barcelona B antes de estrear na equipe principal, na temporada 2007/08. Entretanto, foi com a chegada de Pep Guardiola ao comando técnico que o atacante encontrou espaço e se consolidou em um elenco que mudaria a história do futebol.
Ao lado de Lionel Messi, Xavi Hernández, Andrés Iniesta, Sergio Busquets e Carles Puyol, Pedro participou da construção de uma equipe reconhecida pela posse de bola, movimentação constante e pressão sobre os adversários. Embora os holofotes estivessem frequentemente voltados para outros nomes, o espanhol conquistou sua importância dentro daquele sistema.
Sua velocidade, capacidade de atuar pelos dois lados do ataque e inteligência para explorar espaços fizeram dele uma peça valiosa para Guardiola. Pedro não precisava concentrar a posse de bola para participar das jogadas. Muitas vezes, sua contribuição estava justamente nos movimentos sem a bola, abrindo caminhos para os companheiros e aparecendo na área nos momentos decisivos.
A temporada 2009/10 representou um marco individual. Pedro tornou-se o primeiro jogador da história a marcar gols em seis competições oficiais diferentes na mesma temporada: Campeonato Espanhol, Copa do Rei, Champions League, Supercopa da Espanha, Supercopa da Europa e Mundial de Clubes.
Mas foi em Wembley, no dia 28 de maio de 2011, que escreveu uma de suas páginas mais importantes com a camisa azul-grená. Na final da Champions League contra o Manchester United, Pedro abriu o placar para o Barcelona. Messi e David Villa também marcaram na vitória por 3 a 1, resultado que garantiu ao clube seu quarto título europeu.
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A atuação naquela decisão simbolizou sua trajetória no Barcelona: um jogador que dividia o campo com alguns dos maiores talentos de sua geração, mas que também sabia assumir o protagonismo quando necessário.
Pedro conquistou 20 títulos importantes pelo Barcelona, entre eles cinco Campeonatos Espanhóis, três Champions League, três Copas do Rei, quatro Supercopas da Espanha, três Supercopas da Europa e dois Mundiais de Clubes.
Sua despedida do clube catalão também teve um capítulo especial. Em agosto de 2015, já próximo de deixar o Barcelona, o atacante saiu do banco de reservas e marcou, aos 115 minutos, o gol da vitória por 5 a 4 sobre o Sevilla, na final da Supercopa da Europa. Foi seu último gol com a camisa do Barça e mais uma demonstração de sua capacidade de decidir partidas importantes.
Poucos dias depois, Pedro iniciou uma nova etapa ao se transferir para o Chelsea, da Inglaterra.
Pedro brilha em solo inglês
Em Londres, permaneceu durante cinco temporadas, entre 2015 e 2020. Mesmo distante do ambiente em que havia construído sua carreira, conseguiu manter o protagonismo e acrescentar novos títulos ao currículo. Pelo Chelsea, conquistou a Premier League de 2016/17, a Copa da Inglaterra de 2017/18 e a Liga Europa de 2018/19.
Na decisão da Liga Europa, diante do Arsenal, Pedro voltou a marcar em uma final continental, participando da vitória por 4 a 1 que garantiu o título aos Blues.
Depois da passagem pelo futebol inglês, seguiu para a Itália, onde defendeu a Roma na temporada 2020/21 e, posteriormente, a Lazio. Foram cinco temporadas no clube romano, que representou a última etapa de sua longa trajetória profissional.
A história de Pedro, entretanto, não se resume aos clubes que defendeu. Com a seleção espanhola, o atacante também integrou uma geração que marcou época no futebol internacional.
Campeão da Copa do Mundo de 2010 e da Eurocopa de 2012, Pedro esteve presente no período mais vitorioso da história da Espanha. Na decisão do Mundial da África do Sul, foi titular diante da Holanda, na vitória por 1 a 0 que garantiu o primeiro título mundial da seleção espanhola.
Ao todo, disputou 65 partidas e marcou 17 gols pela Espanha, consolidando uma carreira na qual conseguiu reunir conquistas expressivas tanto por clubes quanto pela seleção.
Uma despedida emocionante
No anúncio da aposentadoria, Pedro demonstrou gratidão por tudo o que viveu durante mais de duas décadas dedicadas ao futebol. Também fez questão de destacar a importância do Barcelona em sua formação e carreira, recordando o privilégio de ter integrado uma das melhores equipes da história do clube.
O Barcelona programou uma cerimônia de despedida para sexta-feira (09), no Auditori 1899, reunindo mais um capítulo da relação construída entre o atacante e a instituição.
Pedro se despede dos gramados com uma trajetória que ultrapassa a quantidade de troféus conquistados. Não foi o principal nome do Barcelona de Guardiola, tampouco o jogador mais celebrado daquela geração. Mas participou ativamente de suas maiores conquistas, marcou gols em decisões históricas e construiu uma carreira que o coloca entre os grandes vencedores do futebol espanhol.
E, como declarou em sua despedida, seu coração continuará sendo culé.





