- “Los Pibes”: torcedor do Peñarol condenado por vandalismo no Rio tentou se fazer de vítima em depoimento Bruno Nicolas Nanches Moreira e Sérgio Gabriel Silveira Balbuena foram condenados à prisão - 15 de julho de 2026
- Golpe: Polícia recupera acervo esportivo raro de R$ 450 mil em shopping no Rio de Janeiro Entre as peças, estavam camisas da Seleção Brasileira, uma camisa comemorativa dos 1000 gols de Pelé, além de bolas assinadas por estrelas da NBA - 11 de julho de 2026
- Jogadores voltam a ser alvos da Polícia Civil por manipulação no Campeonato Carioca de 2026 Jogadores são investigados por cartões amarelos em partida entre Portuguesa-RJ e Nova Iguaçu - 6 de julho de 2026
Na contramão do governo da URSS, o Krasnaya Presnya mudou seu nome para Spartak de Moscou em homenagem a um escravo que se rebelou contra o Império Romano. Spartacus serviu de inspiração para o time do povo Russo se colocar como resistência ao regime ditatorial comunista.
Em 109 antes de Cristo, nascia Spartacus, de origem trácia. Desertor do exército romano, foi capturado e transformado em escravo. Por sua força física, foi comprado por Lêntulo Batiato, um treinador de gladiadores na península itálica de Cápua.
Mais recentemente, em 1922, era fundado por Nikolai Starostin, o Krasnaya Presnya, clube clandestino que homenageava o nome do próprio bairro, na capital Moscou. O clube que ainda mudou seu nome para Pischeviki anos depois, foi um dos líderes na luta pela popularização do futebol no mundo. Entretanto, o clube também lutaria fora de campo.
Na época, a Rússia vivia sobre o regime ditatorial comunista de Stalin. Com isso, o Estado se apropriou do esporte para que o futebol servisse como propaganda da ditadura, a famosa prática de sportswashing. Dessa forma, muitos clubes mudaram de nome e até de escudo, para que tivessem referências ao governo. Até mesmo empresas foram criadas para que a NKVD (polícia secreta) pudesse criar e controlar os clubes.
Contrário a tudo isso, em 1935 o Pischeviki mudou seu nome para Spartak de Moscou, inspirado em Spartacus, o líder da revolta de escravos contra o Império Romano. O uniforme vermelho e branco representa o sangue derramado dos gladiadores que se revoltaram contra a escravidão. A intenção do clube era se colocar como resistência ao regime, o que de fato aconteceu e transformou a equipe no “time do povo”.
Spartak de Moscou

Com a Liga Soviética profissional surgindo na Rússia e se espalhando pela URSS, o Spartak de Moscou começou a se destacar. O clube foi 12 vezes campeão da URSS, 10 vezes campeão da Copa da URSS e base da Seleção Soviética campeã da Olimpíada de Melbourne, em 1956. Todavia, a resistência cobrou um preço caro para seus líderes. Mesmo recebendo a Ordem de Lênin (maior condecoração da URSS) ao conquistar o primeiro título, os irmãos Starostin, que administravam o Spartak, foram condenados por adotarem (supostamente) estratégias burguesas no clube, contribuindo para o capitalismo, e por ter planos para matar Stalin.
Mesmo sofrendo esse duro golpe, a torcida, considerada a segunda maior da Rússia, se manteve firme ao Spartak de Moscou. Foi dela inclusive, que surgiram os primeiros hooligans da URSS. A equipe chegou a sofrer um rebaixamento e acabou retornando sem nenhum tipo de ajuda do regime soviético. Mesmo após tudo isso, o Spartak voltou a vencer diversos campeonatos de expressão, se destacando inclusive em competições internacionais.
Entre os rivais do Spartak está o Dínamo de Moscou, o time dos militares. A localidade compartilhada e a divergência com o Estado são motivos suficientes para o confronto virar uma guerra dentro de campo, principalmente na época. Durante a URSS, o Spartak de Moscou se deu melhor, vencendo 3 de 5 campeonatos. Feito muito importante pra os operários que jogavam contra os soldados. Até mesmo Leonid Brezhnev, que foi presidente da União Soviética, era torcedor assumido do clube.
Pós-cristo e Pós-União Soviética

De fato, uma luta de altos e baixos que pode se confundir com Spartacus, seu líder identitário. De certa forma, os operários de Moscou dialogam com o escravo gladiador. A luta pela liberdade e os direitos adquiridos unem-os e, mais do que tudo, fazem jus. O nome foi honrado, por isso, tanto o clube como o futebol, colhem frutos hoje em dia.
Além dos títulos do Campeonato e da Copa da URSS, o Spartak de Moscou conquistou diversos títulos da década de 90 para cá. Entre as conquistas estão: 10 Campeonatos Russos, 3 Copas da Rússia e 1 Supercopa da Rússia. Atualmente, o clube não tem ficado entre os primeiros, mas continua sendo forte e buscando voltar ao topo. Contudo, a dificuldade aumentou por conta de investimentos milionários em outros clubes como o Zenit por exemplo.
Portanto, Spartacus e Spartak foram extremamente importantes. Um, foi líder de uma revolta de escravos. O outro, não se rendeu a um regime ditatorial e ajudou a popularizar o futebol, hoje conhecido como o esporte mais popular do mundo. A homenagem foi válida e, por isso, o Spartak de Moscou é considerado o time do povo na Rússia.






