- “Los Pibes”: torcedor do Peñarol condenado por vandalismo no Rio tentou se fazer de vítima em depoimento Bruno Nicolas Nanches Moreira e Sérgio Gabriel Silveira Balbuena foram condenados à prisão - 15 de julho de 2026
- Golpe: Polícia recupera acervo esportivo raro de R$ 450 mil em shopping no Rio de Janeiro Entre as peças, estavam camisas da Seleção Brasileira, uma camisa comemorativa dos 1000 gols de Pelé, além de bolas assinadas por estrelas da NBA - 11 de julho de 2026
- Jogadores voltam a ser alvos da Polícia Civil por manipulação no Campeonato Carioca de 2026 Jogadores são investigados por cartões amarelos em partida entre Portuguesa-RJ e Nova Iguaçu - 6 de julho de 2026
Essa não é uma história sobre o descobrimento da América que conhecemos. Você não encontrará Cristóvão Colombo e nem voltará para o dia 12 de outubro de 1492. Mas conhecerá o momento em que o futebol latino ganhou o mundo.
Quando os uruguaios tratam as Olimpíadas de 1924 e 1928 como se fossem duas Copas do Mundo, eles possuem certa razão. Essas duas estrelas acima de seu escudo remetem ao dia em que o Uruguai ganhou um lugar no Mapa-múndi. Na época, ainda não existia Copa do Mundo e, enquanto isso, Atilio Narancio, dirigente uruguaio, hipotecava sua casa para pagar as passagens de terceira classe para os jogadores da seleção.
Naquele momento, a camisa celeste mostrava ao mundo que existia. E ao conquistar aquela Olimpíadas de 1924 em Paris, o país deixou de ser anônimo. Mas uma coisa deu um tom especial em ambas as conquistas: os dois grupos de ouro eram formados por operários e boêmios. Jose Leandro Andrade era compositor de carnaval e engraxate, Perucho Petrone era verdureiro e Pedro Cea, entregador de gelo. Entre os demais ainda haviam: operário de frigorífico e até cortador de pedras de mármore.
Em 1924, a recepção não era nada familiar. Os jogadores dormiam em bancos de madeira, viajavam em vagões e disputavam os jogos em troca de um teto e comida. Foi a primeira vez que uma equipe latino-americana jogou na Europa. Antes da primeira partida, contra a Iugoslávia, foram espionados no treino. Contudo, ao perceber, ficaram chutando as bolas para o alto e, ao enganar os espiões, foram tratados como “pobres rapazes que vieram de tão longe para passar vergonha”.
O (re)descobrimento da América

Para a estreia latino-americana na Europa, somente duas mil pessoas estiveram presente. Poucos conheciam algo na América-latina além do Brasil. Por isso, na hora do hino uruguaio, os europeus tocaram uma marchinha brasileira. Já a bandeira, foi estendida com o sol uruguaio de cabeça para baixo. Entretanto, o Uruguai resolveu responder em campo. Naquele primeiro jogo, um singelo 7 a 0 na Iugoslávia.
Foi ali então, que redescobriram a América. Uma multidão começou a se aglomerar para assistir aquele futebol vistoso e alegre. Diferente de toda monotonia europeia. O escritor Henri de Montherlant publicou na época:
“Uma revelação! Eis aqui o verdadeiro futebol. O que jogávamos, não era, comparado com isto, mais que um passatempo de escolares.”
O sucesso foi tanto, que conforme iam avançando no torneio, os jogadores uruguaios começaram a receber presentes de mulheres francesas dos bailes noturnos de Paris. O destaque daquela competição foi Andrade, conhecido como “A Maravilha Negra” por sua classe dentro de campo. José Leandro Andrade era filho de um-escravo que fugiu do Brasil para o Uruguai. Boêmio e compositor de carnaval, fez sucesso nas noites francesas.
Motivos e consequências
Depois dessa década de conquistas olímpicas pelos uruguaios, surgiu a Copa do Mundo em 1930. Mais uma vez, vitória Uruguaia, que futuramente, viria a ganhar a Copa de 1950 aqui no Brasil. Mas é preciso falar sobre os motivos que fizeram aqueles operários uruguaios, conquistarem 4 títulos internacionais. Antes e durante as conquistas, o Uruguai inaugurou campos de esporte por todo o país graças a uma política oficial de apoio à educação física. Por um momento, um projeto de Estado com vocação social. Depois, quatro conquistas que colocaram o Uruguai no mapa do mundo.
Partindo dessas experiências, podemos notar a importância do futebol nas relações políticas internacionais. Em matéria publicada na PressFut (clique aqui para ler), o jornalista Cleyton Santos falou sobre a importância do esporte ter a noção de que ele, por vezes, é mais forte que política e religião. No passado, o futebol revelou o Uruguai para o mundo. Atualmente, é a vez dos clubes e confederações usarem o futebol, para apoiarem políticas públicas, como a que fez o Uruguai conquistar quatro títulos internacionais, e levar operários ao posto de ídolos.
Ou seja, se por um lado vimos Hitler e Mussolini usando o futebol para promoverem suas ideologias genocidas, também vimos o Uruguai usá-lo para o bem. Portanto, temos os dois lados para seguir ou não de exemplo. Enquanto a França se encantava com o futebol uruguaio, o mundo vivia o segundo descobrimento da América.






