Futebol, Futebol de Seleções, Futebol Feminino

150 jogos de uma história que mudou o futebol feminino espanhol

Aos 32 anos, Alexia Putellas tornou-se a primeira mulher a alcançar essa marca com a seleção espanhola

Alexia Putellas chegou aos 150 jogos pela seleção espanhola na terça-feira (13), diante dos Estados Unidos, e fez o que se espera de uma jogadora de sua dimensão: decidiu. Marcou um gol, deu uma assistência e participou do empate por 2 a 2, em Chester, na Pensilvânia. Aos 32 anos, tornou-se a primeira mulher a alcançar essa marca com a seleção espanhola. São 43 gols pela equipe principal e uma trajetória que se confunde com a ascensão da Espanha ao topo do futebol feminino mundial.

O caminho até a seleção principal 
A história começou nas categorias de base. Pela seleção sub-17, Alexia disputou sete partidas e marcou três gols. Na sub-19, foram 20 jogos e 13 gols. Ao todo, são 27 partidas e 16 gols nessas duas categorias, antes de somar os números da equipe principal. Considerando os registros da sub-17, sub-19 e seleção adulta, a meio-campista acumula 177 jogos e 59 gols.

A estreia entre as adultas aconteceu em 28 de junho de 2013, contra a Dinamarca. Na Eurocopa daquele ano, marcou o gol da vitória por 3 a 2 sobre a Inglaterra. Tinha 19 anos e começava a conquistar espaço em uma seleção que ainda buscava se firmar entre as principais forças do continente.

Nos anos seguintes, Alexia deixou de ser uma promessa para se tornar uma das líderes da equipe. Em campo, assumiu a responsabilidade de organizar o jogo, encontrar espaços e aparecer na área. Em 2021 e 2022, recebeu a Bola de Ouro e o prêmio The Best, da FIFA, nas duas temporadas. Foi o reconhecimento de uma jogadora que alcançou o melhor nível individual e passou a representar uma geração inteira.

A consagração na Copa do Mundo feminina

O título mundial de 2023, na Austrália e na Nova Zelândia, marcou uma virada para o futebol espanhol. A seleção conquistou sua primeira Copa do Mundo feminina e confirmou o crescimento de um trabalho que também renderia os títulos da Liga das Nações em 2024 e 2025. Alexia fez parte dessa geração, embora sua participação no caminho até o Mundial tenha sido marcada por uma interrupção dolorosa.

Em 2022, às vésperas da Eurocopa, ela rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo e ficou fora do torneio. A lesão interrompeu uma fase importante da carreira. A recuperação foi longa, mas Alexia voltou à seleção e integrou o grupo campeão mundial no ano seguinte. Sua trajetória não foi linear, e talvez seja justamente por isso que sua permanência no mais alto nível tenha tanto peso.

A influência da meio-campista também ultrapassou o campo. Durante a crise institucional que atingiu o futebol espanhol após o beijo não consentido de Luis Rubiales em Jenni Hermoso, em 2023, Alexia esteve entre as jogadoras que se posicionaram por mudanças e respeito às atletas. A discussão expôs problemas que iam muito além de uma conquista esportiva e reforçou a importância de ouvir as mulheres que constroem o futebol.

Contra os Estados Unidos, aos 150 jogos, Alexia voltou a mostrar por que continua sendo uma referência. Abriu o placar e serviu Salma Paralluelo para o segundo gol espanhol. As norte-americanas reagiram e buscaram o empate, mas a noite já tinha seu registro histórico. O resultado ficou em 2 a 2; a marca, definitiva.

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Essa marca conta uma história de permanência em uma seleção que mudou de patamar. Alexia esteve presente na passagem de uma Espanha competitiva para uma equipe campeã do mundo. Viu o futebol feminino conquistar espaço, atenção e reconhecimento, e ajudou a empurrar esse movimento para a frente.

A próxima grande missão é a Copa do Mundo de 2027, no Brasil. A Espanha chegará como atual campeã, e Alexia poderá acrescentar mais um capítulo a uma carreira que já ocupa lugar de destaque na história da modalidade.

Aos 150 jogos, não é preciso exagerar para explicar sua importância. Os números estão registrados e os títulos também. Alexia Putellas ajudou a Espanha a conquistar o mundo e tornou-se uma das jogadoras que definiram uma época do futebol feminino.

Há carreiras que acompanham a história. A dela ajudou a escrevê-la.

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