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A Espanha domina o futebol mundial em um dos períodos mais vitoriosos da história de seu futebol. Os títulos já não estão concentrados em uma única seleção, categoria ou geração. Do Sub-19 ao profissional, no masculino e no feminino, as equipes espanholas vêm acumulando conquistas que ajudam a dimensionar a força atual do país.

O capítulo mais recente foi escrito pela seleção feminina Sub-20. Neste domingo (27), a Espanha derrotou a Coreia do Norte e conquistou pela segunda vez a Copa do Mundo Feminina Sub-20.
Depois de 0 a 0 durante os 120 minutos, a seleção espanhola venceu a disputa por pênaltis por 4 a 3. A grande personagem da decisão foi a goleira Laia López, que defendeu duas cobranças coreanas e garantiu o bicampeonato espanhol. O primeiro título da categoria havia sido conquistado em 2022.
A conquista amplia uma sequência de resultados que coloca a Espanha em posição de destaque não apenas no futebol adulto, mas principalmente na formação de novos jogadores.
Espanha domina o futebol europeu Sub-19
No futebol masculino Sub-19, a Espanha conquistou em julho a Eurocopa da categoria de 2026 ao derrotar a Alemanha por 2 a 0 na final disputada em Wrexham, no País de Gales.
O título foi o 10º da Espanha no Europeu Sub-19, ampliando o recorde da competição. A campanha também teve uma marca inédita: os espanhóis se tornaram a primeira seleção a conquistar o torneio sem sofrer nenhum gol durante a fase final.
O desempenho recente mostra regularidade. A Espanha foi campeã em 2024, vice-campeã em 2025 e voltou a levantar a taça em 2026, alcançando três finais consecutivas.
No Sub-19 feminino, os números são ainda mais expressivos. A seleção espanhola conquistou em 2026 seu quinto Campeonato Europeu consecutivo, mantendo uma série iniciada em 2022. Com a vitória por 1 a 0 sobre a Alemanha na decisão deste ano, a Espanha chegou a oito títulos europeus femininos Sub-19, outro recorde da competição.
Somando os torneios masculino e feminino entre 2022 e 2026, o tamanho do domínio fica ainda mais evidente: das dez edições de Eurocopa Sub-19 realizadas nesse intervalo: cinco masculinas e cinco femininas, sete terminaram com título espanhol.
Ouro olímpico reforçou a força da nova geração
Entre a base e a seleção principal, a Espanha também chegou ao topo nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
Na final do futebol masculino, a seleção espanhola derrotou a França por 5 a 3 na prorrogação, no Parc des Princes, e conquistou a medalha de ouro.
Foi o segundo ouro olímpico da Espanha no futebol masculino, 32 anos depois da conquista de Barcelona 1992.
O título também reforçou a força das novas gerações espanholas, já que o torneio olímpico masculino é disputado majoritariamente por jogadores Sub-23.
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O sucesso da base chega às seleções principais
Os resultados das categorias inferiores encontram continuidade no futebol profissional. No feminino, a Espanha conquistou sua primeira Copa do Mundo em 2023, derrotando a Inglaterra por 1 a 0 na final disputada em Sydney.
Depois do Mundial, a equipe também venceu as duas primeiras edições da UEFA Women’s Nations League.
Em 2024, superou a França por 2 a 0 na primeira final da história do torneio. Em 2025, confirmou o bicampeonato ao derrotar a Alemanha por 3 a 0 no placar agregado da decisão. (UEFA.com)
A Eurocopa feminina ainda não faz parte dessa coleção. A Espanha chegou à final da edição de 2025, mas perdeu o título para a Inglaterra nos pênaltis.
No masculino, a sequência também impressiona. A Espanha conquistou a Eurocopa de 2024, vencendo a Inglaterra por 2 a 1 na final em Berlim. Foi o quarto título europeu da seleção espanhola, recorde da competição.
Dois anos depois, veio a segunda estrela mundial.
Na final da Copa do Mundo de 2026, disputada em 19 de julho, a Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 na prorrogação. Ferran Torres marcou o gol do título aos 106 minutos, e a seleção voltou a ser campeã mundial 16 anos depois da conquista de 2010.
Com isso, a Espanha tornou-se também o primeiro país a manter simultaneamente os títulos das Copas do Mundo masculina e feminina.
Por que a Espanha consegue vencer em tantas categorias?
A quantidade de títulos chama atenção, mas o ponto mais relevante pode estar na estrutura por trás deles.
A própria Federação Espanhola trabalha com uma linha de desenvolvimento que procura estabelecer continuidade entre suas categorias. Manu Fernández, diretor das seleções inferiores da RFEF, definiu quatro pilares para esse processo: modelo de jogo, formação de valores, desenvolvimento de talento e rendimento competitivo.
A identidade espanhola também está ligada ao desenvolvimento técnico e à compreensão coletiva do jogo.
Em análise publicada após a Copa do Mundo de 2026, a FIFA destacou a existência de uma metodologia baseada em posse, capacidade técnica e, principalmente, na formação de jogadores capazes de interpretar diferentes situações dentro de campo desde as categorias iniciais.
O modelo não significa simplesmente repetir o estilo da seleção campeã mundial de 2010. O futebol espanhol mudou, ganhou velocidade, jogadores de características diferentes e maior capacidade para atacar espaços. O princípio de desenvolver atletas tecnicamente qualificados e capazes de compreender coletivamente o jogo, porém, permaneceu.
Há ainda uma ampla rede de clubes e centros formadores. Barcelona, Real Madrid, Athletic Club, Villarreal e outras instituições alimentam regularmente as seleções nacionais, enquanto a federação acompanha talentos desde categorias cada vez mais jovens.
O próprio técnico da seleção masculina campeã mundial, Luis de la Fuente, é um exemplo dessa continuidade. Ele chegou à Federação Espanhola em 2013 para comandar o Sub-19, passou por diferentes categorias e trabalhou com vários jogadores antes de reencontrá-los na seleção principal. Em 2026, conduziu a Espanha ao título mundial.
Além de uma geração de ouro
Os resultados ajudam a explicar por que definir o momento espanhol apenas como uma “geração de ouro” pode ser insuficiente. Uma geração excepcional pode conquistar uma Copa do Mundo. Um sistema consistente consegue continuar produzindo equipes competitivas enquanto os jogadores mudam.
É justamente isso que os números recentes da Espanha sugerem.
A seleção masculina é campeã mundial e europeia. A feminina é campeã mundial e bicampeã da Nations League. O Sub-20 feminino acaba de conquistar seu segundo Mundial. O Sub-19 masculino chegou ao décimo título europeu, enquanto o feminino venceu cinco Europeus consecutivos.
São jogadores diferentes, treinadores diferentes e competições diferentes, mas com resultados que se repetem da base ao profissional.
O maior desafio espanhol agora será transformar esse ciclo excepcional em longevidade. Mas, olhando para quem já está vencendo nas categorias inferiores, existe uma razão concreta para acreditar que o atual protagonismo da Espanha não depende apenas das estrelas que estão no topo.
Enquanto uma geração conquista títulos pela seleção principal, a próxima já aprende a vencer na base.





